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Irã diz ter atacado bases com presença dos EUA no Bahrein e no Kuwait

Guarda Revolucionária afirma que atingiu instalações militares com mísseis e drones em nova etapa de retaliação contra Washington. Bahrein informou ter interceptado ataques, enquanto o Kuwait disse que suas defesas aéreas atuaram contra alvos hostis.

A Guarda Revolucionária do Irã afirma ter respondido com ataques contra bases com presença norte-americana no Bahrein e no Kuwait - Imagem: Reprodução
A Guarda Revolucionária do Irã afirma ter respondido com ataques contra bases com presença norte-americana no Bahrein e no Kuwait - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Silva Publicado em 13/07/2026, às 10h46


O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã anunciou ataques com mísseis e drones contra instalações militares no Bahrein e no Kuwait, como parte de uma retaliação aos Estados Unidos após novos ataques americanos a alvos iranianos na região do Estreito de Ormuz.

Os ataques visaram bases aéreas e estruturas associadas à presença militar dos EUA, com o Irã alegando a destruição de sistemas de defesa e infraestrutura militar, embora a veracidade dessas alegações ainda não tenha sido confirmada por fontes independentes.

Enquanto o Bahrein e o Kuwait reportaram ações de defesa bem-sucedidas contra os ataques, a escalada militar entre Teerã e Washington continua a afetar o fluxo de embarcações no Estreito de Ormuz, elevando os preços do petróleo e aumentando o risco de uma crise regional mais profunda.

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, conhecido pela sigla IRGC, afirmou nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026, ter realizado novos ataques com mísseis e drones contra instalações militares no Bahrein e no Kuwait, em mais uma etapa de sua operação de retaliação contra os Estados Unidos. A ofensiva, segundo Teerã, ocorreu após uma nova rodada de ataques militares norte-americanos contra alvos iranianos ligados à defesa aérea, radares costeiros, capacidade de mísseis e drones e embarcações usadas na região do Estreito de Ormuz.

De acordo com a agência estatal iraniana IRNA, a Guarda Revolucionária afirmou que a operação teve várias fases e atingiu instalações associadas à presença militar dos Estados Unidos em países do Golfo. No Bahrein, o alvo informado foi a Base Aérea Sheikh Isa. Segundo o comunicado iraniano, a força aeroespacial do IRGC teria atacado instalações de manutenção e reparo de helicópteros, um hangar que abrigava uma aeronave P-8 e um centro de comando e controle usado para operações de drones militares dos Estados Unidos.

No Kuwait, o IRGC afirmou ter atacado as bases aéreas Ali Al-Salem e Ahmed Al-Jaber. Ainda segundo a versão iraniana, tanques de combustível e um sistema de defesa aérea Patriot teriam sido destruídos na Base Aérea Ali Al-Salem, enquanto um radar estratégico FPS teria sido atingido na Base Aérea Ahmed Al-Jaber. A agência Anadolu também registrou a alegação iraniana de que os ataques integraram a terceira fase da operação chamada por Teerã de “olho por olho”.

As informações sobre a dimensão dos danos, no entanto, ainda não foram confirmadas de forma independente. A Reuters informou que as forças iranianas e norte-americanas trocaram ataques pesados durante o fim de semana e a segunda-feira, mas tratou as declarações sobre os alvos atingidos como alegações da Guarda Revolucionária. O Iran International também destacou que não havia confirmação imediata de autoridades do Kuwait ou dos Estados Unidos sobre a destruição dos sistemas e estruturas mencionados pelo IRGC.

O Bahrein informou que seus sistemas de defesa aérea interceptaram e destruíram vários ataques iranianos com mísseis e drones na madrugada de segunda-feira. No Kuwait, o Estado-Maior informou que as defesas aéreas do país estavam engajando alvos aéreos hostis dentro do espaço aéreo kuwaitiano e pediu que a população seguisse as orientações de segurança.

A nova ofensiva ocorre em meio a uma escalada militar mais ampla entre Teerã e Washington. Segundo a Reuters, os Estados Unidos afirmaram ter atingido sistemas de defesa aérea iranianos, radares costeiros, capacidades de mísseis e drones e pequenas embarcações. O Comando Central dos Estados Unidos declarou que os ataques tinham o objetivo de reduzir a capacidade iraniana de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de petróleo e gás.

O Estreito de Ormuz voltou ao centro da crise. A Reuters informou que o Irã manteve a passagem fechada e que o fluxo de embarcações pela região caiu, enquanto os preços do petróleo avançaram diante do temor de interrupção no abastecimento global. O Brent subiu mais de 2% nesta segunda-feira, refletindo a preocupação dos mercados com o risco de que a crise militar afete uma rota por onde, antes da guerra, passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportados no mundo.

A escalada também atinge diretamente países aliados dos Estados Unidos no Golfo. Bahrein e Kuwait abrigam estruturas militares usadas por forças norte-americanas, o que os transforma em pontos sensíveis no confronto entre Washington e Teerã. Em 8 de julho, a Reuters já havia informado que ataques dos Estados Unidos contra o Irã haviam provocado respostas iranianas contra Kuwait e Bahrein, ambos com bases militares norte-americanas em seus territórios.

O governo iraniano sustenta que os ataques são uma resposta à ofensiva dos Estados Unidos e à presença militar estrangeira no Estreito de Ormuz. No comunicado divulgado pela IRNA, o IRGC afirmou que não permitirá a continuidade da interferência militar norte-americana na região. A agência estatal indiana Akashvani também registrou que o grupo reivindicou ataques contra bases na Jordânia, no Bahrein e no Kuwait como parte de sua operação de retaliação.

Até a publicação desta reportagem, a principal cautela está na verificação dos danos. O Irã afirma ter destruído estruturas militares relevantes em bases no Bahrein e no Kuwait, enquanto autoridades locais relatam ações de defesa e interceptação. A ausência de confirmação independente sobre a extensão dos impactos mantém o episódio no campo da guerra de versões, mas a ampliação dos ataques contra países do Golfo aumenta o risco de uma crise regional ainda mais profunda.


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