A acusação às mulheres foi a mais grave do código penal iraniano

Vitória Tedeschi Publicado em 06/09/2022, às 15h34
Nesta segunda-feira (5), o grupo 6Rang, de defesa dos direitos LBGTQIA+, informou que duas ativistas iranianas lésbicas foram condenadas à morte por infringir a lei islâmica da Sharia, acusação mais grave do código penal iraniano.
O governo acusou-as de 'propagarem a homossexualidade', aliciarem meninas e mulheres a saírem do país em busca de uma vida melhor além de propagar a fé cristã. É a primeira vez que mulheres são condenadas à morte por sua orientação sexual no Irã.
Zahra Sedighi Hamedani, de 31 anos, e Elham Chubdar, de 24, foram condenadas por um tribunal da cidade de Urmía, no noroeste do país. As duas estão detidas no presídio da mesma cidade.
Além disso, a Autoridade Judicial confirmou que elas foram condenadas por "espalhar a corrupção na Terra" - uma acusação frequentemente imposta a réus considerados como tendo infringido as leis da sharia do país.
Shadi Amin, coordenadora da organização iraniana 6Rang, de defesa dos direitos LGBT, com sede na Alemanha, confirmou as sentenças.
"Agora pedimos à Alemanha e aos outros governos estrangeiros que pressionem" o Irã pela libertação das ativistas. Esta é a primeira vez que uma mulher é condenada à morte no Irã por causa de sua orientação sexual", disse.
Outra mulher, Soheila Ashrafi, enfrenta as mesmas acusações, mas ainda não teve a sentença proferida.
A ativista Sareh Hamedani também está presa desde 2021, quando tentava fugir para a Turquia, e seu destino também causa preocupação.
Segundo defensores de direitos humanos, o Irã promove atualmente uma ampla perseguição a diversos grupos sociais.
Além dos cristãos e LGBTs, há denúncias de detenção de membros da minoria religiosa 'bahá’í', a prisão de estrangeiros e o aumento de execuções.
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