Medida visa atrair público mais maduro e controlar indisciplina dos jovens em bares, mas gera críticas

Sabrina Oliveira Publicado em 01/07/2024, às 11h29
Em diversas cidades dos Estados Unidos, bares têm adotado uma nova política: restringir a entrada de clientes com menos de 25 anos. A medida busca atrair um público mais velho e conter comportamentos indisciplinados frequentemente associados a jovens que acabaram de atingir a idade legal para beber. No entanto, essa prática tem gerado debates acalorados e levantado dúvidas sobre sua eficácia e justiça.
Johnny B. Barounis, proprietário do The Auction House no Upper East Side de Nova York, foi um dos pioneiros nessa abordagem. Quando abriu o bar em 1993, Barounis queria evitar "aquela garotada com suas camisas de flanela amarradas na cintura, usando bonés ao contrário e andando com uma cerveja na mão". Ele criou um ambiente que desencorajava a presença de jovens na casa dos 20 anos, com cortinas de veludo, lustres de cristal e móveis antigos. Nos fins de semana, apenas clientes com 25 anos ou mais podiam entrar. Hoje, a política se mantém e é vista como um sucesso, ao ponto de ser implementada em seu outro bar, The Back Room.
A tendência tem ganhado força, com muitos bares adotando restrições de idade similares na esperança de proporcionar um ambiente mais tranquilo e sofisticado. No entanto, essa prática não é comum em restaurantes, como demonstrado pela recente polêmica envolvendo o Bliss, um restaurante caribenho nos subúrbios de St. Louis, Missouri. O estabelecimento permite a entrada apenas de mulheres com mais de 30 anos e homens com mais de 35, o que gerou uma série de manchetes e debates intensos.
Críticos argumentam que a diferença entre 21 e 25 anos é significativa, mas questionam se a restrição de idade é a melhor maneira de alcançar o ambiente desejado. A prática levanta questões sobre até que ponto as empresas podem ditar quem são seus clientes e se essas políticas são justas ou discriminatórias.
Do ponto de vista legal, as empresas geralmente têm o direito de definir suas próprias diretrizes para o serviço, desde que não sejam baseadas em discriminações proibidas por raça, religião, origem nacional ou deficiência. A idade, normalmente, não é uma característica protegida por leis de discriminação em locais públicos, permitindo que bares e restaurantes imponham essas restrições, desde que aplicadas de maneira uniforme.
O caso do Bliss também chamou atenção por suas diferentes políticas de idade para homens e mulheres, permitindo a entrada de mulheres com mais de 30 anos e homens com mais de 35. O proprietário Marvin Pate defende que a política visa criar uma "atmosfera adulta e sexy", atendendo à demanda de clientes mais velhos por um ambiente sofisticado e relaxante. No entanto, essa discrepância foi vista por alguns como arbitrária e discriminatória, gerando frustração entre clientes que não podem visitar o restaurante com seus parceiros mais jovens.
Especialistas do setor de hospitalidade, como Jason Kaplan e Eddie Fahmy, acreditam que a exclusão de clientes mais jovens pode ser uma decisão arriscada. Eles destacam que as gerações mais jovens tendem a gastar mais dinheiro em experiências gastronômicas e de entretenimento, e excluir esse público pode afetar negativamente os negócios.
Apesar das controvérsias, alguns proprietários de estabelecimentos com restrições de idade relatam bons resultados. Toya Taylor, dona do lounge Horizons & More em San Antonio, acredita que a política reduz os riscos e atrai um público mais maduro e estável.
Enquanto isso, Johnny B. Barounis segue observando o desenrolar das políticas do Bliss, curioso para ver se o restaurante manterá sua abordagem ou acabará revisando-a. Marvin Pate, por sua vez, está confiante de que encontrou um nicho de mercado que estava carente de um espaço adequado.
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