
por Marcelo Emerson
Publicado em 21/09/2023, às 06h44
O Brasil já exportou sua arte em várias épocas. Diversos artistas foram celebrados além das nossas fronteiras. Por exemplo, temos desde os mais populares, como Tom Jobim, até os menos lembrados atualmente, como o talentoso Dick Farney, que nos anos 40 se apresentava na Rádio NBC, na terra do Tio Sam.
Faço esta introdução porque na coluna desta semana quero escrever sobre uma cantora que segue conquistando seu espaço no showbusiness do exterior: Marília Zangrandi.
Nascida no Rio de Janeiro, a cantora brasileira vem encantando o público europeu, se apresentando ao lado do astro Geoff Tate, em sua banda solo.
Este colunista teve a oportunidade de entrevistá-la. Perguntei como ela chegou até o ex-vocalista da banda Queensrÿche: “Essa história fica cada vez mais engraçada com o passar do tempo. Foi em 2017, quando o [álbum] Operation Mindcrime estava completando 30 anos. Já haviam sido anunciadas as datas no Brasil e também a banda. Eu já tinha contato com o Bruno Sá (tecladista do grupo) há algum tempo, e vi uma postagem dele no Insta estudando ‘The Mission’. Eu comentei e trocamos algumas mensagens ali. Ele me perguntou o quanto eu gostava do álbum e terminou perguntando se eu toparia cantar nos shows no Brasil. E a resposta a gente sabe qual foi”, diz.
Há um dito popular que recomenda não conhecermos pessoas idolatradas, pois a decepção é quase certa. Eu quis saber se Tate tem algum tipo de estrelismo: “Não”, responde Marília enfaticamente. “Ele é super gentil, delicado e é totalmente contra tratar mal quem trabalha com ele”.
A cantora iniciou sua carreira no canto lírico, o que lhe confere capacidade vocal para interpretar a personagem Sister Mary nos shows de celebração daquele álbum conceitual. Ela é consciente das expectativas do público em relação a uma obra que fez parte da formação da personalidade de muitos fãs: “ Sei que tenho que atender a uma tradição. “Sempre vemos pessoas cruzando grandes distâncias para vê-lo. Gente que sai de Berlim para vê-lo em Nuremberg, ou até um outro que saiu da Romênia e foi para Budapest. Eu sinto mesmo que estou vendo a história do rock de um camarote muito especial.”, diz Marília.
Creio que muitas portas se fecharam para a música brasileira autoral, mas testemunhamos muitos profissionais daqui desbravando territórios atuando como intérpretes, com reconhecimento de crítica e público. Marília Zangrandi segue conquistando seu espaço com muito talento, desenhando uma carreira promissora.
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