
por Marcelo Emerson
Publicado em 19/10/2023, às 06h01
Começo a coluna de hoje parafraseando Sêneca: “Devemos abraçar a maturidade, pois ela poderá ser cheia de prazeres se soubermos usá-la”. Utilizei uma variação da máxima do filósofo romano para falar de uma nova tendência do mercado imobiliário: o condomínio para idosos.
“Segundo o último levantamento, em junho de 2023, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),15,1% da população residente no Brasil tem 60 anos ou mais. Considerando que já passam de 203 milhões de brasileiros, esse percentual representa cerca de 30,6 milhões de pessoas. Em 2012, o percentual era de 11,3%”. A informação é de Catarina Anderáos, em artigo sobre o tema publicado no portal online Síndiconet.
Considerando que o Estatuto do Idoso estabelece em seu art. 1º que desde o momento em que a pessoa completa 60 anos de idade passa a ser considerada idosa, os condomínios são voltados para moradores nessa faixa etária.
A autora do artigo elenca alguns serviços oferecidos nesses empreendimentos imobiliários (que podem ser condomínios de apartamentos ou de casas) e que facilitam a vida independente dos idosos: concierge, pisos antiderrapantes, rampas, barras e apoiadores nos banheiros, portas e corredores largos, móveis com padrão de segurança para idosos, atendimento ambulatorial ou hospitalar e Home care.
Além disso, há oferta de serviços de entretenimento e atividades físicas nas áreas comuns do condomínio, com minimercado, personal trainer, aulas de idiomas e aulas esportivas. Há também a disponibilização de serviços como limpeza do imóvel e lavanderia.
Os condomínios para idosos oferecem espaços acessíveis, que podem ser utilizados de maneira mais eficaz, já que a falta de acessibilidade é um desafio enfrentado por pessoas nessa faixa etária
É inegável que tal tendência oferece uma série de vantagens para a pessoa idosa que opte por viver em empreendimentos imobiliários que lhe traga comodidades, porém, há um contraponto que pode ser encontrado nas doutrinas hoje chamadas de etarismo.
Tal fenômeno é apontado pala Organização Mundial da Saúde (OMS) como a criação de “estereótipos, preconceitos e discriminações direcionados a pessoas com base na idade que têm”.
A ideia dos condomínios para idosos é salutar, mas também é importante refletir sobre as cautelas a serem tomadas para que a criação de ambientes destinados a idosos não acabe gerando isolamento, com consequentes danos psicológicos.
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