
por Kleber Carrilho
Publicado em 31/08/2024, às 11h10
O grande destaque da eleição paulistana é Pablo Marçal. Gostemos ou não dele, o coach conseguiu direcionar toda a agenda para que se discuta seu nome e a forma como se comunica. De política, claramente ele não sabe nada. A prova disso é que, mesmo tendo os votos, não foi eleito deputado federal em 2022, e agora corre o mesmo risco, já que optou por se juntar a pessoas que acham que se conquista espaço comprando (ou fazendo algo pior, mas é melhor não citar aqui).
Pablo sabe como fazer as redes trabalharem a seu favor, sem o uso de ideologia ou fake news, como fazia o Gabinete do Ódio de Carlos Bolsonaro. Neste caso, não há ódio a nada, há apenas a esperança de ganhar dinheiro. Afinal, ao exibir os milhões que tem, os aviões, carros e casas, o candidato do PRTB faz com que, principalmente, jovens sem esperança apostem na distribuição dos cortes do líder.
E esses cortes podem ser diversos: reuniões, entrevistas, tentativas de milagres, ostentação de riquezas. Não importa o tema, o essencial é distribuir conteúdo com a cara de Pablo Marçal. Isso resulta em uma campanha que não fala absolutamente nada sobre a cidade, apenas sobre o personagem principal: ele mesmo.
O problema é que os adversários, que fazem política e querem chegar (ou se manter) na cadeira de prefeito, não sabem o que fazer. Nunes tenta a todo custo entender se vale ou não a pena abraçar Bolsonaro, mesmo percebendo que o ex-presidente não domina mais as redes, enquanto Boulos aparenta estar atordoado, sem ter ideia do que dizer para não correr nenhum risco.
Só Tábata Amaral consegue responder à altura, acusando e aproveitando o engajamento do adversário para se posicionar como a principal inimiga dele. E ela pode fazer isso porque, aos trinta anos, conquistar a prefeitura não faz parte dos objetivos de curto prazo dela. No planejamento estratégico que segue, uma cadeira como essa será algo a ser conquistado daqui a 15 ou 20 anos. Por enquanto, é hora de se tornar uma personagem ainda mais importante no cenário político nacional.
Sim, nacional! Tábata sabe muito bem que tem capacidade para atuar onde esquerda e direita se separam, e aproveitar uma onda ao centro que parece nunca mais acontecer, mas que sabemos que, em algum tempo, surgirá novamente.
Tempos de polarização passam, e quem está posicionado no lugar da conciliação, do encontro, do caminho do meio, costuma ser lembrado como solução. Por isso, ela ataca agora Marçal, como já atacou Bolsonaro e, principalmente, os ministros da Educação que ele teve. Daqui a pouco, será hora de atacar a esquerda e aguardar o momento em que a oportunidade ao centro vai aparecer.
Kleber Carrilho é analista político, professor e pesquisador na Universidade de Helsinque, na Finlândia
Instagram | X: @KleberCarrilho
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