
por Kleber Carrilho
Publicado em 08/11/2025, às 07h41
Esta semana, em um story do Instagram, fiz algo que é comum nas redes sociais: simplifiquei uma crítica. Ao mencionar um líder da esquerda chamado Jones Manoel, me referi a ele apenas como “influencer”. O contexto era estabelecer um paralelo com a trajetória de Zohran Mamdani, o novo prefeito de Nova York. Na comparação, sugeria que pessoas como Jones também poderiam ocupar esse tipo de espaço no Brasil, desde que estivessem atrás de condições viáveis: por exemplo, em partidos que realmente podem competir. A resposta dele foi um áudio, listando muito do que ele faz para justificar que, sim, ele faz política.
Essa conversa resume algo que tenho estudado: o lugar da política nas redes, nas ruas e nas urnas. E sobre como a esquerda no Brasil (e no mundo) tem se complicado ao não estabelecer a conexão entre as redes sociais e a política institucional. Às vezes, por não ter gente para trabalhar, como é o caso em muitos países da Europa. Outras vezes, como no Brasil, separando quem influencia nas redes de quem está nos partidos buscando espaço nas eleições.
Nomes como Eduardo Moreira, Mano Brown, Felipe Neto e o próprio Jones Manoel vêm pautando a opinião à esquerda, educando e engajando. No entanto, eles não fizeram o movimento institucional (e pragmático) de buscar representação no Parlamento, nas prefeituras, nas câmaras, nas assembleias, nos governos.
Enquanto isso, a direita tem sido eficaz: Nikolas Ferreira, Zé Trovão, Gustavo Gayer, Carla Zambelli e muitos outros usaram as redes sociais como trampolim para o poder formal. E aí está o ponto: é importante, para quem quer fazer política, transformar o discurso em ação. Ou, pelo menos, oferecer a opção aos eleitores. Se nomes com grande capacidade de articulação simbólica e política não se apresentam como alternativas viáveis nas urnas, quem vai fazer isso?
É claro que ninguém é obrigado a disputar uma eleição, nem escolher um partido com o qual não se identifica ideologicamente (como é o caso de Jones, que prefere ser parte de um partido supernanico, o não oficial PCBR). Mas quando não há pontes claras entre a militância, a influência e a representação formal, quem perde é o projeto coletivo, neste caso, da esquerda. Isso é ainda um risco maior à democracia quando o outro campo já entendeu como ocupar todos esses espaços de forma articulada.
Por isso, o desafio para a esquerda não é comunicar melhor, mas disputar o poder, que vai muito além de ter a Presidência da República, que acaba fazendo aliança com a direita do Centrão para conseguir se equilibrar. Um movimento de disputa do poder exige uma estratégia que una quem influencia, quem organiza, quem atua e quem representa.
Por isso, a conversa com o Jones foi interessante para retomar o tema e, quem sabe, convencê-lo de que o purismo ideológico é interessante, mas não faz tanta diferença no momento da polarização.
Afinal, tudo é político, inclusive o uso das redes sociais. Mas só fazer política (com toda a institucionalidade que, em geral, cansa e dá preguiça) muda a realidade.
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