
por Kleber Carrilho
Publicado em 27/09/2025, às 08h00
O encontro informal entre Lula e Donald Trump, nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, foi rápido, mas o simbolismo não passou despercebido: ali estavam, frente a frente, dois dos líderes mais carismáticos e controversos do cenário político atual. Adversários ideológicos, sim, mas com muito mais semelhanças do que seus partidários gostariam de admitir.
Lula e Trump são, cada um a seu modo, produtos de seu tempo e de seus contextos. Mas ambos sabem exatamente o que o povo quer ouvir, e como contar essa história. Mestres da narrativa direta, se comunicam não com planilhas, mas com metáforas, frases de impacto e, sobretudo, certezas absolutas. Não admitem dúvida, hesitação ou nuance. São líderes que dominam o palco, o palanque, o comício, a televisão ou as redes sociais.
Ambos também são hábeis em personalizar a política. No mundo de Lula, existe a elite, a imprensa que persegue, o povo trabalhador que resiste. No mundo de Trump, há os globalistas, os democratas corruptos, e o "americano comum" que precisa ser salvo. A lógica é a mesma: criar vilões e heróis, estabelecer fronteiras claras entre "nós" e "eles".
O mais interessante é que essa forma de atuar, emocional, centrada na figura do líder, carismática e performática, tem raízes que vão além da esquerda ou da direita. É uma política que responde à ansiedade da era digital, à desconfiança nas instituições e à necessidade de mensagens rápidas, diretas e, muitas vezes, simplificadas.
Mesmo na montagem de seus governos, eles se parecem. Lula e Trump preferem lideranças leais, com a equipe como uma extensão da vontade do líder. Não é à toa que ambos vivem cercados de ministros ou secretários que são porta-vozes de sua visão, muitas vezes com pouca autonomia real.
O encontro casual entre os dois foi só um gesto. Mas serve para nos lembrar que o mundo contemporâneo tem se rendido cada vez mais a esse tipo de liderança. Carisma, performance, narrativas e certezas absolutas estão moldando a política moderna.
E se, por um lado, isso pode mobilizar, engajar e dar direção, por outro lado também pode silenciar a complexidade, sufocar a mediação e alimentar os extremos. Lula e Trump são reflexos disso, e talvez por isso tenham se cumprimentado com tanta naturalidade.
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