
por Kleber Carrilho
Publicado em 26/10/2024, às 09h58
As eleições municipais estão chegando ao fim, com novos (ou velhos) prefeitos e vereadores para comandar as cidades pelos próximos quatro anos. Para muita gente, isso traz uma sensação de alívio, mas a gente não pode fugir de uma pergunta: será que agora, com novos gestores, as nossas cidades realmente vão melhorar? Afinal, a percepção geral é de que, apesar das promessas e da alternância de poder, pouca coisa muda de fato. Mas será que não tem nada que possa ser feito para transformar essa realidade?
A resposta passa pela participação contínua. Precisamos compreender que a única maneira de transformar essa percepção de que "nada vai mudar" é cobrar diariamente os que conquistaram mandatos. Isso porque a democracia não acontece só nas urnas. Pelo contrário, o voto é apenas o ponto de partida. A gestão pública precisa ser constantemente vigiada e fiscalizada, para que as promessas feitas em campanha se transformem em ações concretas.
O fato é que, depois das eleições, as pessoas acabam se distanciando daquilo que é discutido na esfera pública, e muitos dos eleitos, sabendo que a cobrança diminui com o tempo, esquecem de qualquer proposta.
Então, em vez de permanecer dividida em disputas ideológicas ou debates sobre líderes, as pessoas podem (e devem) se unir em torno das pautas que realmente importam para a cidade. A solução está na organização para cobrar dos eleitos a implementação das políticas públicas prometidas, na saúde, segurança, educação e infraestrutura.
E hoje a gente tem uma poderosa aliada: a tecnologia. As redes sociais e outras ferramentas digitais são plataformas essenciais para a comunicação direta. Os políticos estão cada vez mais expostos e cientes de que suas ações (ou falta delas) são vistas em tempo real. O uso das redes, com uma cobrança constante e coletiva, é uma estratégia essencial para acompanhar de perto a gestão pública. Além disso, essa transparência digital facilita a mobilização popular e ajuda a criar uma pressão social que incentiva uma atuação mais responsável e comprometida por parte dos gestores.
Mas, além do ambiente digital, existem outras formas de organização que também podem reforçar essa cobrança. Associações de bairro, conselhos comunitários e outras entidades atuam como canais importantes para transmitir as demandas da população ao poder público. Essas organizações, muitas vezes, representam as necessidades locais de forma direta, cobrando ações efetivas para as áreas mais negligenciadas. São espaços de troca e diálogo onde se torna possível promover uma fiscalização mais próxima e exercer a cidadania ativa de forma coletiva.
Então, deixe de lado a paixão pelos seus candidatos (se é que você tem) e organize um tempinho na sua agenda para cobrar quem foi eleito, da forma que você puder. Isso porque o Brasil só terá cidades melhores se cada um adotar uma postura de participação e cobrança. Afinal, assim como qualquer empregado, políticos só trabalham direito quando são cobrados e pressionados.
Kleber Carrilho é analista político, professor e pesquisador na Universidade de Helsinque, na Finlândia
Leia também

Dom Rafael perde direitos dinásticos após anunciar casamento

Motorista de Porsche morre após colisão contra mureta na Rodovia dos Imigrantes

Loja de fotografia é destruída por incêndio em Campinas; câmeras registram ação de suspeito

A Fazenda 18 já tem data de estreia; saiba qual

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Moraes suspende visitas de Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias e investiga possível propaganda eleitoral antecipada

Grupo quer Flávio longe de Lucas Bove; deputado é réu e defende "corrupto cristão"

São Paulo tem queda de casos graves ligados à influenza

Dino bloqueia R$ 6,15 milhões de Eduardo Cunha em apuração sobre emendas parlamentares

PT pede ao STF que Bolsonaro perca prisão domiciliar após carta divulgada por Flávio