
Redação Publicado em 23/01/2021, às 00h00 - Atualizado às 18h55
Na última semana, a guerra entre João Doria e Jair Bolsonaro, que antecipa a eleição presidencial de 2022, teve um dos lances mais importantes. Então, nada melhor do que usar novamente a alegoria do xadrez para entender o que aconteceu.
A aprovação da vacina do Instituto Butantan, em conjunto com a farmacêutica chinesa Sinovac, mostrou que a aposta do governador de São Paulo foi acertada quando insistiu no parceiro que poderia trazer o imunizante pronto e os insumos para a produção local. Já o governo federal, perdido na escolha dos fornecedores ideais para um programa nacional, aguardou ser atendida por quem desse preferência. Negou a eficácia da opção paulista-chinesa, insistiu na história da prevenção com cloroquina e outras ideias absurdas e, no fim, acreditou na possibilidade resolver tudo com um voo para a Índia em um avião adesivado. Porém, teve uma invertida de última hora e ficou sem conseguir dar explicações convincentes, com um ministro da Saúde mais perdido do que o habitual.
Por que foi um xeque?
Simples! Porque Doria conseguiu ter a primazia da imagem da primeira vacinação, chorou, apareceu como o ganhador para todo o pais, em um domingo, na hora do Domingão do Faustão, com quase todas as televisões do país mostrando ao vivo. Maior visibilidade, impossível. Tentou, com isso, tomar o lugar de líder nacional, que deveria ser do presidente.
E por que o xeque-mate está distante?
É provável que a guerra da vacina chegue à hora da eleição, daqui a mais de um ano e meio, apenas como uma remota memória, sem grande importância para a decisão do voto. A questão econômica e a saída pós-auxílio emergencial tendem a ter muito mais presença na discussão sucessória do que a pandemia. Por isso, há muito ainda a ser jogado.
Bolsonaro tem inúmeras peças para defender a posição, principalmente o cargo, que inclui uma caneta poderosa. Com ela, se souber trabalhar com estratégia, consegue se movimentar muito. Embora Doria também tenha um cargo com uma caneta, o alcance do presidente é muito maior.
E também vale lembrar que tem muita gente querendo mostrar poder e participar do jogo. Veremos!
Kleber Carrilho é professor, analista político e doutor em Comunicação Social
Instagram: @KleberCarrilho
Facebook.com/KleberCarrilho
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