
Fernanda Trigueiro Publicado em 11/11/2022, às 09h23
Em tempos de redes sociais em que a vida do outro está sob um clique, a grama do vizinho realmente é sempre mais verde. Enquanto as suas viagens têm mil perrengues, a postagem do outro é só alegria. Enquanto você acordou atrasado com aquela cara amassada, alguém já fez um um vídeo levantando da cama, abrindo a janela e mostrando o céu azul. A hora que a sua preguiça bate, do outro lado tem quem já correu cinco quilômetros, tomou suco verde e está feliz da vida. E o amor alheio, então, sempre mais lindo, puro e cheio de declarações. Pela internet, não existe mau humor e imprevistos. Nos faz concluir que a vida do outro é maravilhosa!
Comparar faz parte do ser humano. Parece que somos programados a isso. Uma criança já olha para o brinquedo ou para o lanche do amiguinho e quer. Ninguém precisa ensinar, o serzinho já cresce se comparando e desejando o que não é dele. Ainda tem o estímulo à competição na escola e até em casa. Quem tira a melhor nota, quem come todo o prato de comida... A vida é um eterno jogo e a sensação é que sempre tem quem ganha e quem perde. Na adolescência, a disputa fica ainda mais arriscada. O jovem se compara pois quer se encaixar em uma realidade que muitas vezes não é a dele. Quando adulto sabe dos riscos mas, inconscientemente, continua na inércia da comparação. É um confronto entre os pensamentos e a autoestima.
A comparação rouba a felicidade. Quantas vezes você desistiu de algo por achar que alguém era melhor que você? Quantas vezes uma única foto acabou com o seu dia? Mesmo sabendo que o mundo não é cor de rosa como aparenta nas redes sociais e que muitos por ali mentem e criam uma realidade que não existe, a gente ainda olha para o outro e se compara. Se frustra. Atire a primeira pedra quem nunca se sentiu mal ao ver a vida boa daquela influenciadora, daquele cantor ou até mesmo de um amigo? Muitas vezes não é questão de imaturidade ou recalque. A gente ainda tenta fazer mea culpa e se justifica daquela sensação ruim e se justifica com a tal da "inveja boa".
Seja inveja boa ou não, não pare de se comparar. Pare de ser pôr para baixo e ao entrar no ciclo da competição, mude a forma de se enxergar. Não menospreze as conquistas do outro e nem diminua os privilégios de quem tem. Faça o seu. Corra atrás do que deseja e torne o outro um bom exemplo a seguir. Traga a história e as experiências alheias à seu favor. Que a comparação sirva para te inspirar, impulsionar, trazer a mudança e até mesmo o sacode que você precisa.

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