
por Fernanda Trigueiro
Publicado em 26/05/2023, às 09h14
Ao menos dez insultos. Como o próprio Vinicius Jr. disse "Não foi a primeira vez nem a segunda nem a terceira. O racismoé normal na La Liga". A La Liga é o principal campeonato de futebolespanhol. O atacante brasileiro joga no Real Madrid e foi alvo de ofensas e ataques dentro e fora dos campos.
O racismo é um crime de ódio, de intolerância e de desrespeito. Mas fico pensando que esta história não precisava ser tão cruel assim. Será que se algo tivesse sido feito na primeira menção contra Vini, racistas persistiriam?
Hoje, muito se discute que as autoridades espanholas só estão se mexendo, porque foram pressionadas com a repercussão mundial que o caso teve. Ouvi uma entrevista de um jornalista que trabalha na Espanha. Ele disse que diferente do jornalismo brasileiro que tem quebrado paradigmas, denunciado irregularidades, casos de corrupção e situações fora da lei, os espanhóis ainda prezam pelo silêncio para alimentar e reforçar a imagem de país perfeito.
Mas agora com tantos escândalos, não dá mais para fingir que nada está acontecendo. Muitos ainda tentaram culpar a vítima. O brasileiro de apenas 22 anos se destaca com a bola no pé, dança e comemora seus gols e está no seu direito. Isso pode ser qualquer coisa menos provocação.
No Brasil, a Constituição de 1988 tornou o racismo um crime inafiançável. Mas jogadores de futebol, clientes de mercados, entregadores de aplicativo, motoristas, empresários negros sofrem. O negro continua pagando a conta de uma história de repressão e discriminação. E por outro lado, racistas seguem se defendendo, se apoiando e repetindo a violência. Se sentem inabaláveis ou são?
Anos mais tarde, a Lei Maria da Penha surgiu para criminalizar a violência contra a mulher. Uma medida imporante criada para proteger e trazer igualdade. Muitos são denunciados, mas poucos, punidos. Agressores, feminicídas continuam por ai, livres, leves e soltos.
Novos casos, a mesma história e diferentes vítimas viram notícias todos os dias. As manchetes se repetem. Mulheres feridas e até mortas. Homens presos e depois liberados. Mais uma vez a impunidade dá força aos agressores, que não temem por ter a certeza que nada vai acontecer com eles.
Nada acontece também com assaltantes. Roubam celulares, carros, carteiras e dinheiro. Chegam a matar apenas porque querem um bem material. A vida de ninguém vale nada diante da maldade e da ambição de um ladrão. Menores são aliciados por facções, que justificam que eles jamais serão presos, já que o sistema não permite. Como gente grande eles entram pro mundo do crime. Ali crescem e se tornam indíviduos perigosos e destemidos.
Quantos criminosos vão entrar e sair pela porta da frente de uma delegacia? Eles encaram quem estiver ali, porque têm a certeza de que não serão responsabilizados e nem punidos. Quantos outros negros vão ser humilhados para que as manchetes mudem? Quantas mulheres ainda vão perder suas vidas para que a gente tenha dias mais amáveis e igualitários? O mundo precisa de limite, porque o ser humano não sabe lidar com a liberdade. A punição tem que existir para dar exemplo. As leis precisam chegar e alcançar a todos.

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