
Marcelo Emerson Publicado em 14/07/2022, às 09h00 - Atualizado às 12h12
Admiro pessoas que recomeçam. A vida humana está longe de seguir a lógica dos romances e a jornada do herói não passa de técnica para contação de histórias. Digo isso porque escrevo sobre Jairo Guedz e sua banda, a “Troops of Doom”.
Explico Jairo Guedz é um talentoso guitarrista de Belo Horizonte que esteve na primeira formação (séria) da banda Sepultura.
O jovem músico já estava eternizado nas gravações de “Bestial Devastation” (85) e Morbid Visions (86) e a banda mineira já havia alcançado certa projeção e respeito no universo “undrground”, mas Jairo estava em outras “vibes” musicais e pessoais, que o levaram a sair do grupo que em alguns anos se tornaria um dos maiores fenômenos da música mundial
Ele fez parte das bandas The Mist Eminence, mas não tinha jeito de evitar que jornalistas e fãs sempre o lembrassem que ele poderia ter sido do Sepultura quando a banda já fazia extensas turnês mundiais.
Passado um tempo, eis que Jairo Guedz traz ao mundo uma nova banda, batizada com referência direta à composição de maior sucesso de sua época no Sepultura: “The Troops of Doom”.
O grupo foi formado no início de 2020. Completam a formação Alex Kafer (vocal e baixo), Marcelo Vasco (guitarra) e Alexandre Oliveira (bateria). Inicialmente, foram lançados dois Ep’s (“The Rise of Heresy” e “The Absence of Light” em 2020 e 2021, respectivamente).
Em 2022 foi lançado o primeiro álbum completo (“Antichrist Reborn”), saindo no exterior pela gravadora Alma Mater e distribuição digital pelo selo Blood Blast.
Guedz conversou com este colunista e contou que já havia a ideia de formar uma banda com a proposta musical da “The Troops of Doom”, pois suas influências ainda são as mesmas de quando tocou no Sepultura. Com o desenvolvimento dos trabalhos, consolidou-se a ideia de resgatar a musicalidade, o estilo das letras e a estética empregada no material gráfico da época em que o guitarrista atendia por Jairo “Tormentor”.
O álbum tem sido bastante aclamado, pois conta com ótima produção, o que não era possível nos anos 80.
Admiro Jairo Guedz por seu talento e por sua coragem em recomeçar uma nova empreitada musical. Considerando as boas vendas dos trabalhos lançados pela banda, não estou sozinho nessa.

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