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Não há santos

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Por Marcus Vinicius de Freitas*

 

Não há santos

 

A situação na Ucrânia tem chamado a atenção do mundo nos últimos tempos, com muitos apregoando a eventual ocorrência de uma terceira guerra mundial. O fato e que, em razão de seu histórico, os seguidores das religiões monoteístas possuem uma particular devoção a um fim apocalíptico da humanidade, um momento de destruição global, prenunciando um novo período da saga humana. Em razão disso, os apaixonados pelo apocalipse sempre anteveem uma hecatombe global. Atualmente, Rússia e Ucrânia que ocupam esta posição na narrativa.

 

A Guerra Fria, que durou de 1945 a 1991, culminando no colapso da União Soviética fez o Ocidente sentir-se superior em seus valores, com a falsa impressão de invencibilidade. Para muitos, o capitalismo e a democracia liberal representavam o ápice da humanidade. Acreditando que a sua democracia era semelhante à Coca-Cola, os Estados Unidos se viram como monopolizadores da definição do conceito de democracia pura e dos valores liberais. Aos poucos, no entanto, particularmente com episódios como Guantánamo, as inexistentes armas de destruição em massa no Iraque, o abandono à própria sorte dos países asiáticos durante a Crise Financeira Asiática, ou, mais recentemente, o vexame no Afeganistão, dentre outros episódios, muitos países deram-se conta de que na prática, a teoria era outra.

 

Um dos grandes problemas do Ocidente tem sido a necessidade de autoafirmação. Para ser reconhecido como superior, menospreza países, costumes, culturas e realidades. Por décadas a imagem propagada no Ocidente relativa à União Soviética era de pobreza e ignorância. A narrativa negativa perpetuou a imagem de uma Rússia enfraquecida e atrasada.  Esta – ressalte-se – sofreu sobremaneira os efeitos da transição do comunismo ao capitalismo. Houve uma total desintegração nas suas cadeias de produção e as antigas repúblicas soviéticas, que desconheciam o capitalismo, encontraram-se perdidas, num cenário desesperador. Obviamente, diante deste cenário, os países que se encontravam na esfera de influência soviética imediatamente buscaram no Ocidente novas perspectivas de desenvolvimento e crescimento econômico, particularmente na União Europeia. E, para alguns, veio no pacote filiação à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), uma das relíquias que persiste da Guerra Fria.

 

A OTAN foi estabelecida em 1949 para opor-se militarmente à União Soviética, deveria ter sido extinta, por ter desaparecido a sua razão de ser. No entanto, como todas as organizações internacionais, a burocracia soube reinventar-se e ampliar os tentáculos. Debaixo destes, contrário – segundo Putin – ao acordado nos últimos dias antes do colapso soviético, o Leste Europeu se tornou a nova rota para consolidação do poder ocidental no mundo. A Rússia de Boris Yeltsin não conseguiu contrapor-se a essa expansão devido aos enormes desafios domésticos e financeiros, inclusive a assunção das dívidas das antigas repúblicas soviéticas. Putin ascende ao poder e com astúcia, mão pesada e frieza estratégica estabelece uma relativa normalidade no país. Assim, Putin logrou instalar-se no poder, revezar-se no poder e seguir dando as cartas na tentativa de reconstruir o império soviético – ou ao menos sua influência – e reposicionar o país.

 

A Ucrânia é a pedra no sapato. O país, que tem uma história umbilicalmente conectada à Rússia, tem flertado com o Ocidente de uma forma preocupante a Putin. Afinal, um país à porta, onde já houve armamentos nucleares russos direcionados ao Ocidente, poderia ter, num futuro breve, armamentos nucleares do Ocidente agora voltados à Rússia. Os soviéticos flertaram com essa hipótese – rechaçada pelos Estados Unidos – em outubro de 1952, quando quiseram colocar misseis balísticos em Cuba, como resposta à colocação de mísseis norte-americanos na Itália e na Turquia. Este, aliás, foi, sem dúvida, o momento mais próximo da eclosão de uma guerra nuclear na história.  Incorporar a Ucrânia à OTAN seria, portanto, desastroso à Rússia, porque constitui um ponto constante de instabilidade regional.

 

O fato é que a OTAN deveria ter cumprido o acordo de cavalheiros de não se expandir militarmente em direção ao Leste Europeu. Ao invés de proteger os países, criou a equivocada perspectiva de que a Aliança poderia preservá-los contra uma potência nuclearmente armada. Embora uníssonos neste momento contra a Rússia, obviamente que a hora que a conta financeira da proteção à Ucrânia surgir, muitos dos países membros refugarão. Afinal, a Ucrânia não é um país membro e a sua inclusão é mais um capricho estratégico dos Estados Unidos e Reino Unido. Enfim, esta crise apresenta três aspectos importantes: a política doméstica dos principais atores; a disputa econômica pelo fornecimento de gás e petróleo à Europa e o reposicionamento global das grandes potências em questão de relevância.

 

As questões políticas domésticas – Biden e as eleições de meio de mandato, Boris e o Brexit, Macron e as eleições presidenciais, e a OTAN tentando manter-se relevante – afetam substancialmente a resolução desta situação. E, dentre os aspectos econômicos, desde o governo Trump se observa que os Estados Unidos estão cada vez mais assertivos para substituir a Rússia como fornecedores de petróleo e gás.

 

Quanto ao reposicionamento global das grandes potências, nota-se, uma vez mais, a tentativa de estrangular-se a Rússia econômica e politicamente. No entanto, a inserção do elemento China, neste que é o século asiático, muda, substancialmente, esta equação, que, aliás, funcionara no passado durante a Guerra Fria. Os presidentes Putin e Xi Jinping recentemente consolidaram uma aliança sem precedentes e limites. Esta parceria, sem dúvida, constitui uma movimentação no tabuleiro global que transformará o sistema global nos próximos anos.

 

Ressalte-se, no entanto, que Rússia e China, diferentemente dos Estados Unidos, não têm objetivos missionários de converter o mundo às suas convicções. A nova ordem mundial, que vem sendo construída a partir da pandemia da COVID-19 será certamente muito diferente do sistema atual. O aspecto mais importante deste novo período é que os interesses estão cada vez mais exacerbados e claros. O que prevalece são os interesses. Saber interpretá-los é essencial para posicionamentos. É, pois, essencial ao Brasil, se quiser sobreviver, de maneira astuta, saber identificá-los neste novo contexto global. Não há santos em nenhum dos lados.

 

 

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Marcus Vinicius De Freitas
Professor Visitante, China Foreign Affairs University
Senior Fellow, Policy Center for the New South

 

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