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Indignação e Coragem

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em

Indignação e Coragem

Por Marcus Vinícius de Freitas*

 

Indignação e Coragem

 

 

Santo Agostinho, um dos mais importantes teólogos e filósofos do início do Cristianismo, afirmou certa feita que “a esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.”  Há pouco mais de meia década, o mundo experimentou um movimento “anti-establishment”, uma oposição forte contra governos, instituições e aqueles responsáveis pela enorme deterioração da vida das populações, por incompetência, corrupção e ineficiência, e que, de fato,  pavimentavam um destino negativo na trajetória de muitos países. As lideranças políticas daquele momento estavam destruindo a democracia, o que fomentou desilusão quanto à relevância e benefícios do governo do povo.

 

Derivado desta onda anti-establishment, surgiram lideranças, mais à direita do espectro político, que prometiam renovar e inovar a forma de lidar com muitos dos desafios existentes e jamais resolvidos.  Além deste sentimento contrário às instituições existentes, também havia uma forte reação ao globalismo, um slogan político contrário à imigração, diversidade e governança global, sob a alegação de que tudo se tratava de uma  estratégia marxista de dominação.  Eleitores em vários países – Brasil, Estados Unidos e Reino Unido, por exemplo – compraram essa narrativa. Sob o mantro populista – já desgastado pelo intenso dos grupos esquerdistas que se autopromoveram incessantemente como protetores do povo – vimos movimentos como “Make America Great Again”, “Brasil Acima de Tudo”, ou “Take Back Control”, surgirem como verdadeiras revoluções apoiadas popularmente, em razão da frustração representada pelos governos mais à esquerda. Era a busca de uma mudança na agenda e no curso dos países.

 

Estes movimentos até conseguiram relativo sucesso eleitoral. No entanto, as lideranças que assumiram o poder revelaram-se incompetentes para implementar as medidas tão necessárias e desesperadamente aguardadas pelas populações. A pandemia da Covid-19 trouxe à tona o fato de que estes governos estavam despreparados para enfrentar a maior crise sanitária dos últimos cem anos. O vírus da COVID-19 provou-se letal para estes movimentos. Por mais que estes governos tentassem alterar o rumo e a narrativa da situação, as respostas adotadas foram insatisfatórias e os resultados catastróficos, particularmente com a alta letalidade da  pandemia. O resultado foi o incremento gradual da desconfiança e da descrença popular diante de múltiplas vozes contraditórias. No caso brasileiro, isto levou a números aterradores num país que, mesmo com um sistema público de saúde funcional, se tornou um  dos “campeões” no número de mortes. Infelizmente, a pandemia foi altamente explorada politicamente, tanto pelos negacionistas – que ainda persistem discutindo a questão da vacinação – como pelos supostos amantes da ciência, que implementaram soluções absurdas para tratar da pandemia. Em ambos os casos, a impressão que se tinha era de que os países estavam à deriva.

 

Teria, no entanto, a pandemia da Covid-19 encerrado a onda anti-establishment? Teria a população perdido a capacidade de indignar-se e almejar algo melhor diante da frustração? O fracasso nas políticas públicas de contenção do vírus – é fato – vem arruinando eleitoralmente os governos eleitos na ocasião. Agora, faria sentido retornar à situação anterior? Teriam aquelas primitivas lideranças se regenerado tão rapidamente e de tal maneira positiva que justificaria permitir o seu retorno ao poder?

 

Se observarmos, por exemplo, o caso norte-americano, o retorno ao establishment anterior não tem sido tão favorável quanto esperado. Joe Biden tem uma baixa taxa de aprovação e, mesmo com a maioria nas duas casas legislativas, tem dificuldade em governar e resolver os enormes desafios históricos que afligem os Estados Unidos, inclusive a pandemia. O grande desafio norte-americano deriva, também, da ultra-polarização política e a falta de renovação de quadros. No Reino Unido, também, há a preponderância de dois grupos que historicamente se revezam no poder.

 

O fato é que regeneração política demanda décadas. Afinal, como o ditado popular inglês afirma, “você não pode ensinar novos truques a um cachorro velho”. A tendência do cachorro velho é retornar aos velhos hábitos. Mudança requer não somente sangue novo mas, principalmente, ideias e perspectivas novas. Infelizmente, no caso brasileiro, observamos um envelhecimento de perspectivas, num País que se tornou um deserto de ideias, com diminuida capacidade de inovação.

 

Mas será que num espaço tão curto de tempo, teria o brasileiro perdido a capacidade de indignar-se? Vale a pena retornar ao que tínhamos anteriormente, manter o atual ou mudar mais uma vez? Retorno à sabedoria de Santo Agostinho: “… a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.” Uma hora será necessária coragem para mudarmos o destino desta nação.

 

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Marcus Vinícius De Freitas
Professor Visitante, China Foreign Affairs University
Senior Fellow, Policy Center for the New South

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