Pesquisa revela que 46% dos paulistanos nunca consultaram um cardiologista, mesmo com alta preocupação com doenças cardíacas

Sabrina Oliveira Publicado em 30/09/2024, às 11h41
No Dia Mundial do Coração, uma pesquisa realizada pela empresa de inteligência de dados Nexus traz à tona uma realidade preocupante entre os paulistanos. Embora as doenças cardíacas sejam apontadas como a segunda maior preocupação em saúde da população, perdendo apenas para o câncer, o cuidado efetivo com o coração ainda é negligenciado.
De acordo com o levantamento, 15% dos entrevistados manifestaram preocupação com enfermidades cardíacas, enquanto o câncer lidera a lista com alarmantes 56% de menções. Apesar dessa preocupação, os dados revelam que 46% dos paulistanos nunca consultaram um cardiologista para realizar exames preventivos. Entre os jovens de 16 a 24 anos, a situação é ainda mais crítica, com 68% nunca tendo ido ao médico especialista.
A faixa de renda também influencia essa realidade. Entre aqueles que recebem até um salário mínimo, 56% nunca buscaram ajuda médica. A porcentagem é ligeiramente menor entre os que ganham de um a dois salários mínimos (51%) e aqueles que têm rendimentos de dois a cinco salários mínimos (48%).
Para aqueles que já consultaram um cardiologista, a frequência das visitas é preocupante. Embora 53% tenham realizado a consulta nos últimos 12 meses, 23% não o fazem há mais de um ano, com 14% admitindo que a última visita ocorreu há três anos ou mais. Além disso, cerca de 10% dos paulistanos tomam medicamentos para problemas cardíacos com regularidade.
O caso do aposentado José Carlos Mazzali, de 74 anos, ilustra bem essa situação. Após sofrer dois infartos em um curto período, ele nunca havia realizado consultas ao cardiologista. Agora, está em tratamento contínuo, fazendo exames mensais e consultas regulares.
A cardiologista Fernanda Weiler, do Hospital Sírio Libanês, destaca que, apesar do conhecimento geral sobre a gravidade das doenças cardiovasculares, as visitas ao cardiologista ainda são escassas. O medo de um diagnóstico sério e a falta de tempo são barreiras significativas que precisam ser superadas.
Isso se deve principalmente porque essas doenças são na maioria silenciosas até que aconteça o desfecho de infarto ou AVC [acidente vascular encefálico]. Além disso, devemos considerar a falta de tempo da população e o medo de receber um diagnóstico sério ao se consultar", afirmou a especialista.
A pesquisa foi realizada entre os dias 9 e 11 de setembro, com 2.030 moradores de São Paulo.
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