Com a nova estratégia de dose única, Brasil busca eliminar o câncer do colo do útero até 2030

Gabriela Thier Publicado em 11/09/2025, às 19h15
O Ministério da Saúde do Brasil anunciou a extensão da sua campanha de vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) até dezembro deste ano, visando adolescentes com idades entre 15 e 19 anos. A iniciativa tem como objetivo imunizar cerca de 7 milhões de jovens que não receberam a vacina na faixa etária recomendada, que é de 9 a 14 anos.
Em comunicado oficial, a pasta destacou que a mobilização conta com a colaboração de estados e municípios. Para garantir o acesso à imunização, as vacinas estão sendo disponibilizadas não apenas em unidades básicas de saúde (UBS), mas também em escolas, universidades, ginásios esportivos e centros comerciais.
A vacina contra o HPV é considerada segura e é crucial na prevenção de diversos tipos de câncer, incluindo os do colo do útero, vulva, pênis, garganta e pescoço. O ministério enfatiza que as ações têm como meta assegurar que todos os adolescentes e jovens dessa faixa etária sejam vacinados, promovendo um futuro mais saudável para as próximas gerações.
Balanço Atual
Dados recentes do Ministério da Saúde revelam que, até o início deste mês, mais de 115 mil adolescentes já foram imunizados durante esta nova fase da campanha. Os estados que lideram o número de vacinas aplicadas são Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.
Em 2024, o Brasil alcançou uma cobertura vacinal superior a 82% entre meninas de 9 a 14 anos contra o HPV, superando a média global, que é de 37%. Entre meninos na mesma faixa etária, a cobertura foi de 67%.
Desde o ano passado, o país implementou um novo esquema de dose única para a vacinação contra o HPV em crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos, substituindo o regime anterior de duas doses. Essa mudança está alinhada com as recomendações internacionais e reafirma o compromisso do Brasil em eliminar o câncer do colo do útero até 2030.
No entanto, para indivíduos imunocomprometidos — como pessoas vivendo com HIV/aids ou pacientes oncológicos e transplantados — permanece vigente o esquema de três doses. A mesma orientação se aplica aos usuários de profilaxia pré-exposição (PrEP) com idades entre 15 e 45 anos e às vítimas de violência sexual a partir dos 15 anos.
O vírus HPV
O HPV é um vírus que afeta pele e mucosas e é atualmente a infecção sexualmente transmissível mais prevalente no mundo. Com mais de 200 tipos identificados, alguns podem causar verrugas genitais enquanto outros estão associados ao desenvolvimento de tumores malignos em locais como colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta.
A vacinação contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é considerada uma das formas mais eficazes para prevenir a infecção. O uso de preservativos também é recomendado para reduzir o risco de contágio.
Na maioria dos casos, a infecção por HPV não apresenta sintomas evidentes. Em certas situações, pode permanecer latente por meses ou até anos sem manifestar sinais visíveis ou subclínicos. As primeiras manifestações costumam ocorrer entre dois e oito meses após a infecção inicial, mas podem levar até 20 anos para aparecerem. Essas manifestações são mais frequentes em gestantes e indivíduos com sistema imunológico comprometido.
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