Em uma década, número de pacientes quase triplica, elevando tempo de espera

Sabrina Oliveira Publicado em 03/09/2024, às 11h58
O número de pacientes na fila de espera por um transplante de córnea no Brasil quase triplicou nos últimos dez anos, passando de 10.734 em 2014 para 28.937 em junho de 2024. Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais lideram o ranking de espera, com cerca de 12,5 mil pacientes à espera de uma cirurgia. Esses dados foram divulgados recentemente pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), que expressou grande preocupação com a crescente demanda e os desafios enfrentados pelo sistema de saúde.
A pandemia da covid-19 teve um grande impacto nos procedimentos eletivos, como os transplantes de córnea. Durante 2020, o aumento mais expressivo na fila de espera foi registrado, com o número de pacientes saltando de 12.212 em 2019 para 16.337 no ano seguinte, representando um crescimento de 33%. Nos anos subsequentes, a fila continuou a aumentar, atingindo 20.134 pacientes em 2021, 23.946 em 2022, e 26.905 em 2023. Esses números refletem a realidade enfrentada tanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quanto pelas redes privada e suplementar.
Além da interrupção de cirurgias eletivas devido à pandemia, a insuficiência de doadores e as deficiências na gestão de transplantes são apontadas como causas principais para o aumento da fila. De 2014 a junho de 2024, um total de 146.534 pacientes conseguiu realizar o transplante de córnea. A Região Sudeste concentra o maior número de pacientes em lista de espera, com São Paulo registrando um aumento considerável na fila, especialmente entre 2019 e 2023.
Outros estados também mostraram um crescimento rápido no número de pacientes à espera de um transplante. No Rio de Janeiro, a fila praticamente dobrou entre 2021 e 2023, passando de 2.898 para 4.274 pacientes. Estados como Rio Grande do Sul e Pernambuco apresentaram avanços similares, com números que saltaram de algumas dezenas para mais de mil pacientes em espera.
No entanto, algumas regiões, como o Ceará e o Amazonas, viram uma redução significativa na lista de espera por transplantes de córnea durante o mesmo período. Enquanto o Ceará reduziu sua fila em 67%, o Amazonas conseguiu uma redução ainda maior, de 77%. Infelizmente, em estados como Amapá e Roraima, os dados sobre a fila de espera não foram disponibilizados.
Em termos de tempo de espera, a média nacional para a realização de um transplante de córnea é de 194 dias, pouco mais de seis meses. Os estados do Maranhão e Pará apresentam os tempos de espera mais longos, com quase 600 dias de espera, enquanto o Ceará, Paraná e Pernambuco registram os menores tempos, com menos de quatro meses de espera.
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia destaca que o atual modelo de assistência tem levado a grandes desigualdades, com pacientes em alguns estados esperando anos por uma cirurgia. Para o CBO, é essencial que o país invista em campanhas de conscientização sobre a doação de córneas e na melhoria da infraestrutura dos bancos de olhos. A entidade também defende que é necessário dobrar a capacidade anual de transplantes para zerar a atual fila de espera, que só tende a crescer se não forem adotadas medidas coordenadas entre o governo e as organizações de saúde.
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