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Natimortalidade

Desigualdade amplia risco de gestantes perderem seus bebês

Estudo mostra que desigualdade socioeconômica aumenta chances de natimortalidade no Brasil

Estudo destaca a importância de políticas públicas para reduzir disparidades na saúde materna e melhorar a assistência perinatal - Imagem: Reprodução/G1
Estudo destaca a importância de políticas públicas para reduzir disparidades na saúde materna e melhorar a assistência perinatal - Imagem: Reprodução/G1

Gabriela Nogueira Publicado em 13/11/2025, às 15h48


Um levantamento feito por pesquisadores da Fiocruz, em parceria com instituições do Brasil, do Reino Unido e do Canadá, revelou um dado preocupante: mulheres que vivem em municípios mais pobres enfrentam um risco muito maior de perder o bebê durante a gestação ou no parto. O estudo aponta que a chance de natimortalidade pode ser até 68% maior nessas regiões.

A pesquisa analisou dados de nascimentos entre 2000 e 2018, usando informações do Ministério da Saúde. Esses números foram comparados ao Índice Brasileiro de Privação, que mede as condições de vida das cidades, considerando fatores como renda, escolaridade e moradia. A relação entre esses dados mostrou como desigualdade e saúde caminham lado a lado no Brasil.

Os resultados, publicados na revista BMC Pregnancy and Childbirth, revelam um contraste marcante. Enquanto municípios com melhores condições socioeconômicas registraram queda constante na natimortalidade ao longo dos anos, as cidades mais vulneráveis praticamente não avançaram. Isso acontece mesmo com o país apresentando uma redução geral de 30,7% nas mortes fetais entre 2000 e 2019.

Segundo a pesquisadora Enny Paixão, da Fiocruz Bahia, o trabalho traz à tona desigualdades que já eram percebidas, mas ainda não tinham sido analisadas de maneira tão detalhada.

“As evidências mostram claramente que existem diferenças importantes que impactam as taxas de natimortalidade”, afirma.

Em 2018, o Brasil registrou 28,6 mil casos de bebês que morreram após a 20ª semana de gestação ou durante o parto — uma taxa de 9,6 por mil nascimentos. Essa média, porém, esconde disparidades regionais: nas cidades com melhores condições, o índice fica em 7,5; nas mais pobres, chega a 11,8.

Os pesquisadores apontam que avanços em áreas como educação, saúde pública e saneamento podem ter ajudado na redução das mortes fetais em nível nacional. Mas esses progressos não chegaram com a mesma força aos municípios mais vulneráveis.

“Ainda não sabemos por que as políticas têm sido menos eficazes nessas áreas”, explica Enny.

Uma das hipóteses é a maior concentração de população rural em regiões remotas, onde o acesso a serviços de saúde é limitado. Além disso, problemas ligados à desigualdade — como atendimento precário, dificuldade para iniciar e manter o pré-natal e pouca oferta de serviços especializados — podem comprometer o acompanhamento da gestação e o atendimento no parto.

Para a pesquisadora, entender como a privação socioeconômica impacta a saúde das gestantes é fundamental para direcionar esforços e melhorar a assistência perinatal. “Identificar onde as desigualdades são mais intensas é o primeiro passo para reduzir esses números”, destaca.


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