Medicamento reduz aplicações diárias e previne crises de hipoglicemia; substituição da insulina NPH será gradual nas Unidades Básicas de Saúde de todo o país

Letícia Sales Publicado em 15/07/2026, às 13h07
O Sistema Único de Saúde (SUS) deu início a um importante passo na assistência a pacientes com diabetes no Brasil. A partir deste mês, a rede pública passa a ofertar nacionalmente a insulina glargina — um análogo de ação prolongada que promete melhorar significativamente a qualidade de vida dos usuários. A iniciativa estende para todo o território nacional uma estratégia que vinha sendo testada em formato de projeto-piloto e visa substituir, de forma gradual, a tradicional insulina NPH.
Neste primeiro momento, o novo tratamento é direcionado a públicos específicos e considerados prioritários pelo Ministério da Saúde. Estão elegíveis para receber o medicamento crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 (na faixa etária de 2 a 17 anos) e idosos a partir de 70 anos que possuam diabetes tipo 1 ou 2. Para ter acesso, os pacientes ou seus responsáveis devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência portando uma prescrição médica atualizada, onde passarão por uma avaliação clínica da equipe de saúde local.
Eficácia clínica e logística de abastecimento
A mudança na política de distribuição do Ministério da Saúde apoia-se em dois fatores cruciais: a melhora na rotina do paciente e a segurança do abastecimento nacional. Diferente da NPH, a insulina glargina atua no organismo de forma contínua e previsível ao longo do dia, o que se traduz em duas grandes vantagens práticas:
Adicionalmente, a transição ajuda a proteger o mercado nacional diante da escassez e da redução da oferta global da insulina NPH. A medida faz parte de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), programa governamental desenhado para incentivar a fabricação de insumos biotecnológicos em solo brasileiro e diminuir a dependência de importações.
A operação logística para equipar os estados já está em ritmo acelerado. Até a última segunda-feira (13), o governo federal havia enviado mais de 254 mil tubetes de glargina para 16 unidades federativas, além de 52.350 canetas reutilizáveis de aplicação. A expectativa do Ministério da Saúde é concluir o abastecimento e a entrega de insumos a todos os estados brasileiros até o fim de julho de 2026.
Nas UBSs, junto com o medicamento, os pacientes que migrarem para o novo tratamento receberão agulhas, as canetas aplicadoras e o treinamento necessário para o manuseio e armazenamento corretos do produto.
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