Diário de São Paulo
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Operação Hawala

Operação mira esquema que lavou R$ 100 milhões do tráfico e apura elo com financiador da Al-Qaeda

Ação da Polícia Civil e do MPRJ prendeu 10 pessoas em quatro estados e investiga movimentação financeira ligada ao TCP, CV e PCC

Elementos indicam a atuação de empresários libaneses na Tríplice Fronteira, área monitorada por atividades de grupos terroristas - Imagem: Reprodução
Elementos indicam a atuação de empresários libaneses na Tríplice Fronteira, área monitorada por atividades de grupos terroristas - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 15/07/2026, às 08h14


A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Estado (MPRJ) deflagraram, na manhã desta quarta-feira (15), a Operação Hawala para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado ao menos R$ 100 milhões provenientes do tráfico de drogas. Até a última atualização, dez pessoas haviam sido presas durante a ação.

As investigações apontam que a organização atuava na ocultação e circulação de recursos ilícitos ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP), além de prestar serviços financeiros que beneficiavam integrantes do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo a Polícia Civil, os investigadores também identificaram um possível vínculo entre um dos alvos e um integrante de uma estrutura responsável pelo financiamento da organização terrorista Al-Qaeda.

“Durante as apurações, os agentes identificaram uma possível conexão com um integrante de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda”, afirmou a Polícia Civil.

Ao todo, foram cumpridos dez mandados de prisão e 37 de busca e apreensão em endereços localizados nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e no município de Foz do Iguaçu (PR). A operação foi realizada por agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ).

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros, a indisponibilidade de bens e de participações societárias dos investigados. No total, 22 pessoas foram denunciadas pelo Gaeco, e a denúncia foi aceita integralmente pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, tornando todos os acusados réus.

A apuração teve início após uma investigação da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), que descobriu uma empresa instalada no Complexo do São Carlos, apontada como ligada à cúpula do TCP. O estabelecimento comercializava produtos falsificados e também recebia mercadorias roubadas.

A partir desse núcleo, os policiais identificaram uma extensa rede de empresas de fachada espalhadas por diferentes estados, utilizada para lavar dinheiro do tráfico. O grupo também recorria à prática conhecida como smurfing, que consiste em realizar diversos depósitos em pequenas quantias para dificultar a identificação das operações pelos órgãos de fiscalização.

As investigações ainda revelaram a atuação de um grupo de empresários de origem libanesa, suspeito de ampliar a circulação interestadual e internacional dos recursos ilegais. Parte desse núcleo atuaria na região da Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina.

“As investigações também identificaram elementos que indicam a atuação de integrantes desse núcleo na região conhecida como Tríplice Fronteira (Brasil-Paraguai-Argentina), área que, segundo organismos nacionais e internacionais de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, é historicamente monitorada como um importante polo de operações financeiras e logísticas de grupos terroristas”, informou a Polícia Civil.

Outro ponto investigado é a relação comercial entre uma empresa ligada ao grupo e um homem sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável pela aplicação de sanções econômicas.

“De acordo com as informações levantadas, esse indivíduo integra uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. Esse vínculo será aprofundado a partir da análise das provas apreendidas durante a operação”, declarou a Polícia Civil.


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