A ação foi gravada por celular do parlamentar e de outras testemunhas e viralizou nas redes

Mateus Omena Publicado em 14/09/2022, às 12h37
A jornalista Vera Magalhães foi vítima de ataque pelo deputado estadual paulista Douglas Garcia (Republicanos), apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL), durante o debate para o governo de São Paulo, na noite da última terça-feira (13).
O parlamentar partiu para cima de Vera e disparou insultos contra ela, chamando-a de "vergonha para o jornalismo brasileiro".
Em seguida, ele reproduziu uma falsa notícia sobre a remuneração anual dela na TV Cultura. Durante o ataque, o deputado usou o celular para gravar seus atos contra a jornalista.
Já estou aqui no debate da TV Cultura aguardando a chegada do Tarcísio. Será que a Vera Magalhães vem hoje? pic.twitter.com/Y92OVYMMGG
— Douglas Garcia - 1070 Dep Federal (@DouglasGarcia) September 14, 2022
Devido às agressividades de Garcia, Vera precisou sair escoltada por seguranças do Memorial da América Latina — local onde aconteceu o debate.
Após o episódio, Vera Magalhães se manifestou no Twitter e repudiou o comportamento do deputado. "Não tenho medo de homem que ameaça e intimida mulher", escreveu.
🗣️ “Ele veio aqui visivelmente com a intenção de ‘lacrar’. A única solução possível naquele momento era afastá-lo da ‘lacração’”, disse Leão Serva sobre o momento em que tirou o celular da mão de Douglas Garcia, que “já tem uma prática de assédio a @veramagalhaes há um bom tempo” pic.twitter.com/yErInE6TKF
— UOL Notícias (@UOLNoticias) September 14, 2022
Ela também afirmou que vai registrar um boletim de ocorrência pela ameaça sofrida.
"Um país que condescendendo com esse tipo de ameaça à imprensa não é uma democracia plena. Basta!".
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Nas imagens, Douglas Garcia é separado de Vera por um segurança. Ele continuou repetindo ataques a ela até ter o telefone celular tomado pelo diretor de redação da TV Cultura, Leão Serva.
Em postagem no Twitter antes de começar o debate, o parlamentar bolsonarista exibiu o crachá de convidado e perguntou se Vera iria participar do evento.
Os vídeos da ameaça viralizaram nas redes sociais e gerou indignação de internautas e políticos.
O candidato ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos), apoiado por Bolsonaro, criticou o comportamento do deputado estadual.
"Lamento profundamente e repudio veementemente a agressão sofrida pela jornalista Vera Magalhães enquanto exercia sua função de jornalista durante o debate de hoje. Essa é uma atitude incompatível c/ a democracia e não condiz c/ o que defendemos em relação ao trabalho da imprensa", escreveu.
Mais tarde, Vera Magalhães anunciou que Tarcísio a telefonou para manifestar solidariedade.
Os outros pré-candidatos ao governo do Estado Fernando Haddad (PT) e Rodrigo Garcia (PSDB) também repudiaram o episódios nas redes.
"Repúdio total ao ataque covarde sofrido pela jornalista Vera Magalhães pelo deputado Douglas Garcia em uma clara tentativa de ataque à liberdade de imprensa, método bolsonarista de intimidação contra a democracia", escreveu Haddad.
"Meu total repúdio ao ataque covarde que a jornalista Vera Magalhães sofreu, após o debate da TV Cultura, vindo de um sujeito que não representa os valores democráticos nem o povo de São Paulo. Minha solidariedade a você, Vera", escreveu o tucano.
Por outro lado, essa não é a primeira vez que Douglas Garcia tenta intimidar Vera Magalhães. Em 2020, ele e o também deputado estadual paulista Gil Diniz, conhecido como Carteiro Reaça (PL) acusaram a jornalista, no plenário da Assembleia Legislativa paulista, de receber R$ 500 mil por ano da Fundação Padre Anchieta, responsável pela gestão da TV Cultura, para atacar o presidente Bolsonaro.
Na ocasião, a apresentadora do programa Roda Viva desmentiu a informação e publicou que recebe R$ 22 mil por mês, o que totaliza um valor anual de R$ 264 mil, pouco mais da metade do valor novamente mencionado pelos parlamentares.
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