Barroso enfatiza que o STF atua conforme a legislação atual e que a anistia só pode ser considerada após punições serem impostas

Gabriela Thier Publicado em 27/04/2025, às 17h47
Em uma entrevista concedida ao jornal GLOBO, publicada neste domingo (27), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, posicionou-se firmemente contra a concessão de anistia aos envolvidos nos atos golpistas ocorridos em 8 de janeiro. Barroso qualificou a ideia de perdão como inadequada e destacou que a responsabilidade por possíveis reduções de penas deve recair sobre o Congresso Nacional.
Durante sua análise, Barroso enfatizou que o STF tem atuado estritamente conforme a legislação atual. Ele argumentou que aqueles que consideram as penas aplicadas excessivas devem buscar alterações na legislação, ao invés de solicitar anistia. O presidente da Corte salientou que a anistia é um recurso que pode ser considerado apenas após a imposição de punições, sendo que muitos dos processos relacionados ainda estão em fase de julgamento.
"Não me deixo influenciar por pressões, embora reconheça a relevância do sentimento social. O Supremo tem aplicado as leis estabelecidas pelo Congresso nos casos relacionados aos eventos de 8 de janeiro. Para aqueles que acreditam que as penas são desproporcionais, a solução é pleitear uma mudança na lei. Não vejo justificativa para anistia, uma vez que isso implica perdão, e os atos cometidos são imperdoáveis. No entanto, a revisão das penas pode ser considerada se o Congresso assim decidir", afirmou Barroso.
No tocante à revisão de penas, Barroso observou que, segundo a legislação vigente, não há espaço para essa prática no STF. Ele expressou preocupação quanto ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, mencionando que seria preferível que esse processo não ocorresse em um período eleitoral, para evitar influências no clima das eleições.
"Seria ideal, desde que respeitadas as normas legais. É necessário ouvir testemunhas e produzir provas antes de determinar se o julgamento poderá ocorrer ainda este ano. Embora o Direito e o processo eleitoral sejam distintos, é desejável evitar que ambos coincidam, pois as decisões judiciais impactam diretamente o cenário eleitoral. Assim, é preferível que questões jurídicas sejam resolvidas fora do contexto eleitoral", concluiu Luís Roberto Barroso.
Barroso também defendeu a atuação do STF ao afirmar que a Corte não comete abusos. Ele reiterou que as críticas frequentemente dirigidas ao tribunal são reações a decisões impopulares e ressaltou a importância de julgar os casos apresentados ao tribunal, mesmo na ausência de legislações específicas que abordem determinadas situações.
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