Durante cerimônia de lançamento da fragata Cunha Moreira, em Santa Catarina, presidente afirmou que o Brasil precisa ampliar sua capacidade de defesa diante do cenário internacional, disse que "não quer guerra", mas também "não quer ser pego de surpresa", e anunciou que o tema da defesa passará a integrar seu programa de governo.

Ana Beatriz Publicado em 26/06/2026, às 20h02
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a importância de fortalecer a defesa do Brasil durante o lançamento da fragata Cunha Moreira, destacando a necessidade de estar preparado para ameaças, mesmo sem buscar conflitos.
Lula citou a Guerra do Paraguai como um exemplo histórico que justifica a manutenção de uma capacidade de proteção, além de criticar a instabilidade internacional e o não cumprimento de compromissos sobre a redução de armas nucleares.
O presidente anunciou que a defesa nacional será um eixo central em seu governo, visando estabelecer um projeto estratégico para as Forças Armadas, enquanto o Programa Fragatas Classe Tamandaré busca modernizar a Marinha e fortalecer a indústria de defesa nacional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta sexta feira (26) o fortalecimento da capacidade de defesa do Brasil durante a cerimônia de lançamento e batismo da fragata Cunha Moreira, realizada em Itajaí, no litoral de Santa Catarina. Em discurso marcado por referências históricas e ao atual cenário geopolítico, o presidente afirmou que o país precisa estar preparado para enfrentar possíveis ameaças, mesmo sem desejar conflitos.
"Eu não quero guerra. Mas eu também não quero ser pego de surpresa", declarou Lula ao justificar a necessidade de investimentos contínuos na área de defesa.
Ao explicar sua posição, o presidente lembrou a Guerra do Paraguai e citou a invasão liderada por Solano López contra Brasil, Argentina e Uruguai como exemplo de acontecimentos inesperados que, segundo ele, demonstram a importância de um país manter capacidade de proteção.
Lula também afirmou que o cenário internacional se tornou mais instável e declarou que o mundo está "cheio de malucos". Como exemplo, mencionou declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, envolvendo a Groenlândia, o Canadá e o Canal do Panamá, temas que vêm gerando repercussão no debate internacional sobre segurança e soberania.
O presidente ainda destacou que, desde a elaboração da Constituição de 1988, acreditava na redução da proliferação de armas nucleares, mas afirmou que o compromisso assumido por diversas potências não foi cumprido. Segundo ele, outros países ampliaram seus arsenais militares nas últimas décadas, enquanto a indústria brasileira de defesa perdeu capacidade de produção.
Durante o evento, Lula anunciou que, pela primeira vez, pretende incluir a defesa nacional como um dos eixos centrais de seu programa de governo. Segundo o presidente, o país precisa definir um projeto estratégico de longo prazo para as Forças Armadas, estabelecendo quais capacidades militares considera necessárias para proteger o território nacional.
A cerimônia marcou o lançamento da fragata Cunha Moreira, terceira embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré. O projeto faz parte do processo de modernização da Marinha do Brasil e tem como objetivo renovar a frota de superfície, ampliar a capacidade operacional da força naval e fortalecer a indústria nacional de defesa. O programa é considerado estratégico pelo governo federal para a recomposição do poder naval brasileiro e para o desenvolvimento tecnológico do setor.
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