Reportagem da Reuters, baseada em pesquisas recentes e entrevistas com especialistas e eleitores, indica que brasileiros entre 16 e 34 anos demonstram crescente insatisfação com o governo federal, motivada principalmente por questões econômicas, segurança pública e percepção sobre corrupção.

Ana Beatriz Publicado em 27/06/2026, às 14h19
Uma parte da Geração Z no Brasil está mudando seu apoio político, com a desaprovação do governo Lula superando a aprovação entre jovens de 16 a 34 anos, um grupo crucial para sua vitória em 2022.
A insatisfação com a economia, segurança pública e escândalos de corrupção tem levado jovens, como o tradutor Ricardo de Lima Filho, a reconsiderar suas preferências políticas, com muitos agora inclinados a candidatos de direita.
Com as eleições de 2026 se aproximando, o Partido dos Trabalhadores busca reconectar-se com esse eleitorado jovem, propondo estratégias focadas em mercado de trabalho e políticas sociais, enquanto a disputa por seus votos se torna um fator decisivo nas próximas eleições.
Uma parcela da Geração Z brasileira está mudando seu posicionamento político e deixando de apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva às vésperas das eleições presidenciais de 2026. A conclusão faz parte de uma reportagem publicada pela Reuters no dia 24 de junho, que reúne dados de pesquisas de opinião, entrevistas com especialistas e relatos de jovens eleitores que afirmam ter alterado sua preferência política.
Segundo a agência internacional, brasileiros entre 16 e 34 anos representam atualmente a única faixa etária em que a desaprovação do governo supera a aprovação, de acordo com levantamento divulgado pela Quaest em junho. O cenário chama atenção porque esse grupo foi considerado decisivo para a vitória de Lula nas eleições de 2022.
A reportagem apresenta como exemplo o tradutor de videogames Ricardo de Lima Filho, de 34 anos, que afirmou ter votado em candidatos de esquerda durante toda a vida, inclusive em Lula no segundo turno das últimas eleições presidenciais. Agora, ele afirma que pretende votar em um candidato de direita.
À Reuters, Ricardo declarou que passou a maior parte da vida adulta sob governos do Partido dos Trabalhadores, mas que não percebeu a melhora econômica que esperava. Entre os fatores citados por ele estão a desaceleração da economia, o aumento da preocupação com a segurança pública e a recorrência de notícias envolvendo escândalos de corrupção.
Especialistas ouvidos pela agência apontam que a mudança não representa necessariamente uma guinada ideológica completa da juventude brasileira, mas reflete uma frustração crescente com os resultados econômicos vivenciados por essa geração.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, explicou que o acesso ao ensino superior aumentou significativamente na última década, porém esse avanço não foi acompanhado pelo mesmo crescimento da renda dos trabalhadores mais qualificados.
Dados citados na reportagem mostram que o número de brasileiros com diploma universitário praticamente dobrou nos últimos anos. Apesar disso, a renda média dos graduados, quando corrigida pela inflação, continua abaixo do nível registrado em 2014.
Segundo Nunes, muitos jovens investiram anos na formação acadêmica esperando maior estabilidade financeira e melhores oportunidades profissionais, mas encontraram um mercado de trabalho incapaz de entregar esse retorno esperado.
A Reuters também destaca que esse fenômeno acompanha uma tendência observada em outros países, onde parte dos jovens tem migrado para candidaturas identificadas com pautas de direita, especialmente em temas ligados à economia, combate à corrupção e segurança pública.
Ao mesmo tempo, a reportagem ressalta que pesquisas indicam que muitos desses jovens continuam apoiando políticas públicas como a ampliação do acesso ao ensino superior e outros programas sociais, sugerindo que a mudança de voto decorre mais da avaliação sobre o desempenho do governo do que de uma alteração completa de posicionamento ideológico.
A publicação ainda informa que integrantes do Partido dos Trabalhadores vêm discutindo estratégias para recuperar a conexão com o eleitorado jovem, incluindo propostas voltadas ao mercado de trabalho, habitação, meio ambiente e redução da jornada de trabalho.
Com pouco mais de três meses para a eleição presidencial, a disputa pelo voto da Geração Z tende a se consolidar como um dos principais fatores capazes de influenciar o resultado das urnas em 2026, diante da relevância numérica desse eleitorado e da crescente volatilidade observada nas pesquisas de opinião.
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