Diário de São Paulo
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"Está cheio de nego maluco no mundo", diz Lula ao criticar Trump e defender reforço da defesa nacional

Declaração foi dada em cerimônia no litoral de Santa Catarina; presidente também voltou a mencionar o cenário internacional e a necessidade de modernização das Forças Armadas brasileiras

Redação Publicado em 26/06/2026, às 18h34


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira (26), ao comentar as declarações do republicano sobre a possibilidade de os EUA ampliarem seu controle sobre territórios estrangeiros. Durante cerimônia de lançamento ao mar da fragata Cunha Moreira, em Itajaí (SC), Lula afirmou que "está cheio de nego maluco no mundo". 

O presidente americano quer tomar a Groenlândia, o Canadá, que vai virar Estado dele. Quer tomar o Canal do Panamá. Onde é que nós estamos?", questionou o petista diante das autoridades presentes no evento.

Além das críticas ao governo americano, Lula aproveitou o discurso para defender uma política permanente de fortalecimento da defesa nacional. Segundo ele, o tema será incorporado ao programa de governo de sua campanha à reeleição, com previsão de novos investimentos voltados à modernização das Forças Armadas.

O presidente afirmou que o Brasil precisa deixar de investir apenas na reposição de equipamentos e passar a estruturar um projeto estratégico de longo prazo. Para ele, o país deve definir quais capacidades militares pretende desenvolver para garantir a proteção de seu território e de sua população, visando assegurar condições de defesa diante de eventuais ameaças.

Não queremos guerra com ninguém, não queremos invadir ninguém, mas estaremos preparados para defender nossos 8,5 milhões de quilômetros quadrados e os 215 milhões de habitantes", declarou.

As declarações fazem referência a falas de Trump feitas no início de 2025, quando o presidente americano afirmou que não descartava o uso da força para assumir o controle da Groenlândia e do Canal do Panamá. 

Preocupação no governo

As manifestações voltaram a ganhar repercussão nas últimas semanas em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

Um dos fatores que elevaram a preocupação do governo brasileiro foi a decisão das autoridades americanas de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a medida pode ampliar a margem para ações mais duras por parte dos Estados Unidos e, em um cenário extremo, servir de justificativa para operações contra grupos criminosos fora do território americano.

A relação entre os dois países também enfrenta impasses na área comercial. Após investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o governo americano propôs tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, embora tenha incluído exceções para itens considerados estratégicos, como café, carne, frutas, aeronaves e minerais de terras raras.

A disputa comercial pode ganhar novos desdobramentos em 6 de julho, quando será realizada uma audiência pública nos Estados Unidos para discutir a proposta. O encontro permitirá que empresas, associações, representantes de governos e outros interessados apresentem argumentos antes da decisão final da administração de Donald Trump sobre a aplicação das tarifas.