A pesquisadora teve uma notável atuação na pandemia de covid-19 e em importantes instituições

Mateus Omena Publicado em 22/12/2022, às 16h09
Nísia Trindade Lima, de 64 anos, foi escolhida pelo presidente-eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ser Ministra da Saúde do novo governo, sendo a primeira mulher a assumir o cargo.
A nova gestão entra em vigor a partir de 1º de janeiro, marcando também o fim do mandato de Jair Bolsonaro (PL) na chefia do executivo.
Nísia é uma profissional reconhecida por sua atuação na pandemia de covid-19 e boa capacidade de diálogo entre grupos políticos. Em entrevista ao portal UOL, o médico sanitarista Gonzalo Vecina classificou a decisão de Lula como prudente, especialmente pelo histórico profissional de Nísia.
“Nísia é uma profissional de saúde com extrema experiência de gestão e muito capaz de articular as forças que existem dentro do setor de saúde. Já anunciou a maior parte da equipe com a qual vai trabalhar, uma equipe muito boa com ex-secretários municipais e ex-secretários estaduais de saúde, uma equipe coesa e muito forte”, declarou o especialista.
Nísia Trindade é a primeira mulher a se tornar presidente da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), cargo que ocupa desde 2017. Ela também chefiou diversas operações do instituto no enfrentamento da pandemia de covid-19 no Brasil.
Ela se formou em Ciências Sociais pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) em 1980. Em 1989, concluiu mestrado em ciência política pelo atual Iesp (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, e em 1997 se tornou doutora em Sociologia.
Além disso, ela trabalhou como professora de História das Ciências e da Saúde na Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz). Também leciona Sociologia no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp/Uerj). Nísia também é autora de dezenas de artigos, livros e capítulos com reflexões sobre os dilemas da sociedade nacional.
Por outro lado, seus esforços não se concentraram apenas no campo das ciências sociais, pois seus trabalhos acadêmicos mais notáveis estão voltados à área da saúde pública.
Ela atuou como diretora da Casa de Oswaldo Cruz, unidade da Fiocruz focada em pesquisa e memória em ciências sociais, história e saúde entre 1998 e 2005.
Nízia foi a responsável pela criação do Observatório Covid-19, rede transdisciplinar dedicada a pesquisas e sistematização de dados epidemiológicos, assim como monitoramento e divulgação de informações, para subsidiar políticas públicas, sobre a circulação do novo coronavírus e seus impactos sociais em diferentes regiões no Brasil.
A professora também coordenou o acordo de encomenda tecnológica na articulação com o Ministério da Saúde do Brasil, a Universidade de Oxford, a farmacêutica AstraZeneca e as unidades de produção locais.
Em 2021, a socióloga recebeu a homenagem hors-concours do Prêmio Inspiradoras, uma parceria entre Universa e Instituto Avon, pela forma que lidou com a pandemia.
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