Presidente afirma que só buscará diálogo quando houver disposição real por parte dos EUA, e critica medidas unilaterais que prejudicam exportações brasileiras

Lívia Gennari Publicado em 06/08/2025, às 17h03 - Atualizado às 19h28
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista à agência Reuters, que não pretende contatar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto não notar uma real disposição para diálogo por parte do líder norte-americano. "Eu não vou me humilhar", ressaltou Lula.
A declaração ocorre em meio a uma crise comercial entre Brasil e Estados Unidos, após o governo americano anunciar tarifas de 50% sobre uma série de produtos brasileiros. A medida, considerada unilateral pelo Brasil, já entrou em vigor e atinge cerca de 35,9% das exportações brasileiras ao mercado americano, segundo a estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).
Lula, que nunca teve contato direto com Trump, afirmou que o momento não é de negociação.
“Eu não tenho para que ligar para o presidente Trump, porque nas cartas que ele mandou e nas decisões, ele não fala em momento algum em negociação, ele faz somente novas ameaças. Na outra carta que ele anuncia os 50%, diz textualmente: ‘é porque o governo está cometendo erros’. Ele que cuide dos EUA, do Brasil cuidamos nós”, afirmou o presidente.
A sobretaxa, segundo o presidente, vai encarecer os produtos tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
"Só tem um dono neste país, e só um dono manda no presidente: é o povo. Ele que elegeu, ele que pode tirar. Essas atitudes antipolíticas, ‘anticivilizatórias’, é o que coloca problema numa relação, que não existia. A taxação não ajuda, vai encarecer produtos nos EUA e no Brasil”.
A tarifa anunciada por Trump começou a valer nesta quarta-feira (6), impondo uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, a mais alta já aplicada pelo governo dos Estados Unidos.
Entre os produtos atingidos pela tarifa estão a carne e o café, enquanto outros, como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e fertilizantes, estão entre as exceções previstas pelo governo americano.
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