Casa Branca justifica a medida como resposta a ações do Brasil que ameaçam a segurança nacional e a economia dos EUA

William Oliveira Publicado em 06/08/2025, às 09h44
Entram em vigor nesta quarta-feira (6) as novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A alíquota total sobe para 50%, uma das mais altas do mundo, após decreto assinado pelo presidente Donald Trump na quarta-feira (30), que acrescenta uma taxa adicional de 40% às já existentes.
Apesar do aumento, alguns itens foram excluídos da medida, como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e peças automotivas, fertilizantes e produtos energéticos.
Segundo a Casa Branca, a decisão responde a ações do governo brasileiro consideradas uma "ameaça incomum e extraordinária" à segurança nacional e à economia dos Estados Unidos. Em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump já havia expressado preocupação com o cenário político brasileiro.
A justificativa oficial aponta para alegações de perseguição política e abuso de direitos humanos no Brasil, especialmente em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), é citado diretamente como responsável por medidas que, segundo os americanos, atentariam contra a liberdade de expressão.
A Casa Branca acusa Moraes de aplicar multas e bloqueios a empresas que não cumpriram ordens judiciais tidas como repressivas. Em complemento às tarifas, o governo dos EUA revogou os vistos de ministros do STF e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, apontando-os como agentes da censura contra cidadãos norte-americanos.
As negociações entre os dois países para reverter as medidas seguem travadas. Embora Lula tenha sinalizado abertura ao diálogo, reconheceu que as chances de um acordo imediato são remotas. Em recente declaração durante um evento no Palácio Itamaraty, afirmou preferir convidar Trump para conversar sobre mudanças climáticas do que discutir tarifas comerciais.
A perspectiva de avanço nas negociações diminuiu ainda mais após o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, considerar "improvável" a assinatura de qualquer acordo nas próximas semanas. Como tentativa de reaproximação, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve se reunir com o secretário do Tesouro americano nos próximos dias para preparar um possível encontro entre os presidentes.
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