Ministro do STF diz que núcleo principal da trama golpista será julgado até setembro e afirma que pressões externas não afetarão decisões da Corte

Lívia Gennari Publicado em 01/08/2025, às 18h49
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou nesta quinta-feira (1º) que pretende concluir ainda neste ano o julgamento das ações penais relacionadas à trama golpista ocorrida durante o governo de Jair Bolsonaro. A declaração foi feita na sessão de abertura dos trabalhos da Corte após o recesso.
De acordo com Moraes, o cronograma do julgamento segue firme, com o núcleo principal do processo, que inclui o ex-presidente Bolsonaro, previsto para ser julgado já em setembro.
“Até o fim deste semestre julgaremos todos os responsáveis, absolvendo aqueles onde não houver prova de responsabilidade, condenando aqueles onde houver prova. E não nos acovardando em virtude de ameaças seja daqui ou de qualquer outro lugar”, afirmou o ministro.
Sanções dos EUA não intimidam ministro do STF
A fala de Moraes também foi uma resposta direta às sanções impostas a ele pelo governo dos Estados Unidos, que na última quarta-feira (30) aplicou a chamada Lei Magnitsky, legislação que permite penalizar estrangeiros envolvidos em violações de direitos humanos ou corrupção.
As medidas bloqueiam bens do ministro em território americano e proíbem transações financeiras com cidadãos dos EUA. Moraes, no entanto, disse que as sanções não o atingem, pois ele não possui bens nos Estados Unidos e seu visto para o país está expirado há dois anos.
O governo Trump justificou as punições mencionando o processo contra Bolsonaro, que se tornou réu por tentativa de golpe após perder a eleição de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ex-presidente americano chegou a classificar a ação da Justiça brasileira como uma “caça às bruxas”.
Apesar das pressões externas, Moraes reforçou que as sanções e o pedido de anistia para Bolsonaro não vão interferir no andamento da ação penal contra o ex-presidente e outros sete investigados.
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