Diário de São Paulo
Siga-nos
Golpe de Estado

STF interroga núcleo militar e aliados de Bolsonaro por ações golpistas

Os núcleos 2 e 4 são acusados de ações para impedir a posse de Lula e disseminar fake news, respectivamente

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF) com estátua A Justiça, de Alfredo Ceschiatti - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Marcello Casal Jr.
Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF) com estátua A Justiça, de Alfredo Ceschiatti - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Marcello Casal Jr.

William Oliveira Publicado em 24/07/2025, às 11h33


O Supremo Tribunal Federal (STF) deu início, nesta quinta-feira (24), aos interrogatórios dos réus dos núcleos 2 e 4 envolvidos na tentativa de golpe de Estado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, após as eleições de 2022. Os acusados, incluindo membros das Forças Armadas e aliados do ex-mandatário, estão sendo ouvidos em uma sessão virtual simultânea, iniciada às 9h.

Entre os réus estão oficiais da ativa e da reserva, além de figuras próximas a Bolsonaro, como Filipe Martins, ex-assessor de assuntos internacionais, e Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Os interrogatórios marcam uma fase avançada do processo penal no STF. O julgamento que definirá a condenação ou absolvição dos acusados está previsto para o segundo semestre. Os réus do núcleo 3 serão ouvidos na próxima segunda-feira (28).

Núcleo 2 — Acusações e réus

De acordo com denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), os integrantes do núcleo 2 são acusados de atuar no "gerenciamento de ações" para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva e manter Bolsonaro no poder.

Réus:

  • Fernando de Sousa Oliveira (delegado da PF e ex-diretor de Operações do Ministério da Justiça)
  • Filipe Garcia Martins Pereira (ex-assessor internacional de Bolsonaro)
  • Marcelo Costa Câmara (coronel da reserva do Exército)
  • Marília Ferreira de Alencar (delegada da PF e ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça)
  • Mário Fernandes (general da reserva do Exército)
  • Silvinei Vasques (ex-diretor-geral da PRF)

Núcleo 4 — Atividades criminosas

Segundo a PGR, os integrantes do núcleo 4 são acusados de disseminar fake news, promover ataques virtuais contra instituições e autoridades, e agir contra o processo eleitoral. A denúncia menciona a existência da chamada “Abin paralela”, uma estrutura clandestina de espionagem usada para monitorar adversários políticos e produzir dossiês com informações distorcidas.

Réus:

  • Ailton Gonçalves Moraes Barros (major da reserva do Exército)
  • Ângelo Martins Denicoli (major da reserva do Exército)
  • Carlos Cesar Moretzsohn Rocha (presidente do Instituto Voto Legal)
  • Giancarlo Gomes Rodrigues (subtenente do Exército)
  • Guilherme Marques de Almeida (tenente-coronel do Exército)
  • Marcelo Araújo Bormevet (agente da Polícia Federal)
  • Reginaldo Vieira de Abreu (coronel do Exército)

Todos respondem por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.


últimas notícias