O escândalo das joias começou após a derrota de Jair Bolsonaro no 2º turno das eleições de 2022

Mateus Omena Publicado em 25/04/2023, às 17h53
Em sua defesa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) declarou nesta terça-feira (25) que o 2º pacote de joias enviadas pela Arábia Saudita eram masculinas e questionou o que ela tem "a ver com isso".
Em entrevista à CNN Brasil, Michelle foi questionada após a publicação de reportagem do jornal Estado de São Paulo, que afirmou que uma servidora alegou em seu depoimento que ela teria recebido a caixa de joias em mãos.
“Essas joias que chegaram no Alvorada foram joias masculinas. Estão me associando ao 1º caso que eu não sabia e não sei mesmo, tanto que as joias continuam apreendidas e essa da Alvorada está na Caixa Econômica Federal. O que eu tenho a ver com isso?", disse a ex-primeira-dama. “Ela estava no Alvorada. Eu morava aonde? No Alvorada".
Michelle também disse que essa caixa é da cor ouro rosé e continha um terço, um relógio, abotoaduras e uma caneta.
Segundo a reportagem do jornal O Estado de São Paulo, Michelle Bolsonaro recebeu em mãos o 2º pacote de joias árabes, que continha relógio, caneta, anel, abotoaduras e um rosário.
Uma funcionária do governo Bolsonaro afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que o kit foi entregue à esposa do ex-presidente em 29 de novembro de 2022.
Por outro lado, um depoimento desmente a versão apresentada por Michelle. A esposa do ex-presidente já havia afirmado em outras ocasiões não saber da existência de qualquer joia e chegou a ironizar o episódio.
Em seguida, foi constatado que Bolsonaro estava com o conjunto, mas foi obrigado a devolvê-lo após determinação do Tribunal de Contas da União (TCU). O órgão decidiu que o ex-presidente deveria retornar este e quaisquer outros presentes de alto valor.
De acordo com as investigações, o governo de Jair Bolsonaro teria tentado trazer ao Brasil de forma ilegal joias avaliadas em R$ 16,5 milhões, que seriam um presente da Arábia Saudita para a ex-primeira-dama.
As peças foram aprendidas no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, em outubro de 2021 e estariam na mochila de um militar que era assessor do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.
O presidente e seus representantes tentaram recuperar as joias diversas vezes, mobilizando vários ministérios. O Ministério de Minas e Energia teria pedido a intervenção do Itamaraty no caso. No entanto, a Receita Federal informou que isso só seria possível se fosse feito o pagamento do imposto e da multa, que chegaria a R$ 12 milhões.
Na mesmo deslocmento, não foi interceptado pela Receita um conjunto composto por um relógio com pulseira em couro, par de abotoaduras, caneta, anel e um masbaha (espécie de rosário islâmico) - todos os itens pertencem à marca de luxo suíça Chopard.
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