Após críticas da embaixada israelense, Lula destaca que o que ocorre em Gaza não é uma guerra, mas um extermínio de civis

Gabriela Thier Publicado em 03/06/2025, às 19h21
Em uma coletiva de imprensa realizada na terça-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou sua posição sobre as ações militares de Israel na Faixa de Gaza, classificando-as como "genocídio". A declaração de Lula ocorre logo após a embaixada de Israel no Brasil ter emitido um comunicado sugerindo que líderes internacionais estariam sendo manipulados pelo Hamas, grupo que controla Gaza, intensificando assim as tensões diplomáticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio.
Lula não hesitou em responder às insinuações do governo israelense, afirmando: "Um presidente da República não se submete às opiniões de uma embaixada. O que está ocorrendo em Gaza não é uma guerra; é um exército exterminando mulheres e crianças". Em um tom carregado de indignação, ele acrescentou que "todas as pessoas de bom senso no mundo, incluindo cidadãos israelenses - conforme destacado em uma carta do ex-primeiro-ministro de Israel - reconhecem que não se trata mais de uma guerra, mas sim de genocídio".
O presidente também fez referência a manifestações internas em Israel que contestam as ações do governo Netanyahu. Ele citou uma carta assinada por mil militares israelenses que expressavam a mesma preocupação: "Não se pode justificar a morte de mulheres e crianças sob o pretexto de buscar um alvo. É inaceitável deixar crianças passando fome". Para ilustrar sua argumentação, ele lembrou um incidente recente em que duas crianças foram mortas enquanto transportavam farinha para se alimentar.
Em relação às acusações de antissemitismo dirigidas a ele, Lula foi incisivo: "Acusar-me de antissemitismo é perpetuar um vitimismo sem fundamento. O que ocorre na Faixa de Gaza é genocídio, envolvendo a morte de mulheres e crianças que não participam do conflito". Ele destacou que as hostilidades são resultado de decisões políticas e não refletem a vontade do povo judeu. "É uma decisão governamental que nem mesmo os israelenses apoiam. Como ser humano - e não apenas como presidente do Brasil - é inaceitável considerar isso como uma guerra normal".
Nesta segunda-feira dia (2), a embaixada israelense em Brasília havia divulgado uma nota na qual, embora sem mencionar diretamente o presidente brasileiro, afirmava que algumas lideranças globais estariam "comprando mentiras" disseminadas pelo Hamas, o que estaria prejudicando tanto israelenses quanto judeus ao redor do mundo. A representação diplomática reiterou essa preocupação após os comentários feitos por Lula.
Na semana anterior, durante um evento público, Lula já havia caracterizado a resposta militar israelense como motivada por "vingança", reafirmando seu posicionamento sobre o genocídio dos palestinos.
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