O número de mortos em Gaza continua a subir, com a ONU confirmando mais de 54.200 fatalidades desde o início do conflito

Gabriela Thier Publicado em 29/05/2025, às 19h25
Na quinta-feira (29), a Faixa de Gaza enfrentou um novo dia de tragédias, com pelo menos 44 vidas perdidas em ataques aéreos israelenses. Este cenário de destruição se agrava em meio à crescente crise humanitária, que levou muitos palestinos a invadir um armazém do Programa Mundial de Alimentos (PMA) em busca de suprimentos essenciais.
Desde o início da ofensiva militar em 17 de maio, o Exército israelense intensificou suas operações, segundo eles, com o objetivo declarado de resgatar reféns e neutralizar o Hamas, responsável por um ataque no sul de Israel em 7 de outubro. Segundo a Defesa Civil de Gaza, os ataques dessa quinta resultaram na morte de 23 pessoas em um bombardeio direcionado a uma residência na área do campo de refugiados de Al Bureij. Além disso, duas outras mortes foram registradas devido a disparos próximos a um centro humanitário no sul da Faixa.
Em resposta às acusações sobre os bombardeios, o Exército israelense afirmou estar analisando as informações recebidas e, em comunicado, indicou que havia atacado "dezenas de alvos terroristas" ao longo do dia. O governo russo condenou os ataques israelenses como uma forma de punição coletiva contra civis, com o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, descrevendo a situação em Gaza como incompreensível.
Desde o início do bloqueio total imposto por Israel em 2 de março, a entrada de ajuda humanitária na região tem sido severamente restringida. No entanto, sob pressão internacional, houve uma leve flexibilização das restrições na semana passada. Na quarta-feira à noite, imagens chocantes mostraram milhares de palestinos famintos invadindo o armazém do PMA em Deir al-Balah, onde suprimentos alimentares estavam armazenados para distribuição. O PMA fez um apelo urgente por acesso humanitário seguro e contínuo.
O organismo também confirmou relatos de que durante a invasão do armazém, algumas pessoas perderam a vida e várias ficaram feridas. O PMA alertou sobre o agravamento da crise humanitária e os riscos associados à escassez extrema de alimentos para a população necessitada.
Imagens da AFP capturaram momentos caóticos enquanto a multidão saqueava o armazém da ONU. Durante um evento anterior, uma distribuição de ajuda promovida pela nova Fundação Humanitária de Gaza (GHF), que recebeu apoio dos EUA e Israel, terminou em tumulto, deixando 47 pessoas feridas. Moradores relataram que muitos se apoderaram dos itens sem ordem ou controle.
Segundo o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos nos Territórios Palestinos Ocupados, a maioria dos feridos foi causada por disparos feitos pelo Exército israelense. Embora as forças armadas tenham afirmado que disparos foram realizados apenas como aviso e não na direção da multidão, a GHF também negou qualquer alegação sobre disparos intencionais contra os civis.
Enquanto isso, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu anunciou a morte de Mohamed Sinwar, líder do Hamas em Gaza, durante um ataque aéreo em Khan Yunis. Este evento marca uma continuidade do conflito que começou com o ataque massivo do Hamas em outubro passado, resultando em um número devastador de fatalidades e na contínua deterioração das condições de vida para os habitantes da Faixa de Gaza.
As consequências desta guerra já deixaram mais de 54.200 palestinos mortos até agora, segundo dados fornecidos pelo Ministério da Saúde local e corroborados pela ONU.
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