Licenciado por 122 dias, o patriota Eduardo Bolsonaro vai usar quatro meses para "guerrear" contra o Brasil. Ele está nos Estados Unidos pedindo sanções contra seu pais

Jair Viana Publicado em 21/03/2025, às 18h23
O deputado federal Eduardo Bolsonaro(PL-SP) pediu uma licença de 122 dias de seu mandato, sendo dois dias destinados a "tratar da saúde" e 120 para "assuntos particulares". O pedido, protocolado na Câmara, ocorre em meio à polêmicas em setores políticos, especialmente do PT, que denunciou o parlamentar ao Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta conspiração contra o Brasil. A legenda acusa o parlamentar de usar o período para articular, junto ao Congresso dos Estados Unidos, a imposição de sanções internacionais ao país, sob alegações de violação de direitos humanos e censura.
Fontes próximas ao parlamentar confirmaram que parte da agenda nos EUA inclui reuniões com congressistas republicanos e organizações conservadoras. Eduardo Bolsonaro tem repetido, em discursos públicos e redes sociais, que o Brasil vive sob uma "ditadura", citando decisões judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e a suspensão de perfis nas redes sociais. A estratégia, segundo analistas políticos, busca pressionar o governo Biden a revisar relações bilaterais, embora especialistas em direito internacional considerem improvável que as alegações resultem em medidas concretas.
A licença prolongada gerou reações no Congresso. Líderes da base governista classificaram o movimento como "abandono de mandato" e "uso indevido de prerrogativas parlamentares". Já aliados do PL defendem o direito do deputado de gerir sua agenda, argumentando que a licença está prevista no regimento interno da Casa. A controvérsia ganhou dimensão após a divulgação de vídeos em que Eduardo Bolsonaro discursa em eventos nos EUA, acusando o STF de perseguição política e o governo Lula de "autoritarismo".
O Itamaraty, em nota técnica recente, rejeitou as críticas do deputado, afirmando que o Brasil "respeita plenamente o Estado Democrático de Direito". Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional, também contestaram as alegações, destacando avanços em políticas de inclusão sob a atual gestão. Enquanto isso, nos bastidores, assessores do Palácio do Planalto monitoram o caso, preocupados com possíveis impactos na imagem do país.
A licença de Eduardo Bolsonaro reacende o debate sobre o uso de recursos públicos para fins políticos. Especialistas em ética parlamentar lembram que, embora licenças para "assuntos particulares" sejam permitidas, sua utilização para campanhas internacionais não regulamentadas pode configurar conflito de interesses. O caso deve ser analisado pela Comissão de Ética da Câmara, que poderá solicitar esclarecimentos sobre a natureza das atividades do deputado durante o período. Enquanto isso, a polarização política segue alimentando o embate entre governo e oposição, dentro e fora do Brasil.
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