Diário de São Paulo
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INVESTIGAÇÃO NO STF

Moraes abre prazo para PGR decidir futuro de Flávio Bolsonaro após indiciamento por calúnia contra Lula

Polícia Federal concluiu que senador atribuiu falsamente crimes ao presidente da República. Agora, Procuradoria-Geral da República terá 15 dias para decidir se apresenta denúncia ao STF.

Ministro Alexandre de Moraes encaminhou à Procuradoria-Geral da República o inquérito que investiga Flávio Bolsonaro por suposta calúnia contra o presidente Lula. - Imagem: Reprodução
Ministro Alexandre de Moraes encaminhou à Procuradoria-Geral da República o inquérito que investiga Flávio Bolsonaro por suposta calúnia contra o presidente Lula. - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 29/06/2026, às 11h43


O ministro Alexandre de Moraes enviou à Procuradoria-Geral da República o inquérito que investiga Flávio Bolsonaro por calúnia contra o presidente Lula, após a Polícia Federal concluir as investigações e indiciar o senador.

A investigação foi motivada por uma postagem de Flávio no Twitter, onde insinuou que Lula estaria envolvido em crimes graves, o que, segundo a PF, ultrapassou a crítica política e configurou calúnia.

A PGR terá 15 dias para decidir sobre a denúncia formal, novas diligências ou arquivamento, enquanto a defesa de Flávio contesta a apuração e questiona a condução do caso.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) o inquérito que investiga o senador Flávio Bolsonaro (PL) por suposta prática do crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A decisão ocorre após a Polícia Federal concluir as investigações e indiciar o parlamentar. A PGR terá agora um prazo de 15 dias para analisar o caso e decidir se apresenta denúncia formal ao Supremo, solicita novas diligências ou pede o arquivamento do processo.

O inquérito teve origem em uma publicação feita por Flávio Bolsonaro na rede social X, em 3 de janeiro deste ano, logo após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças norte-americanas.

Na postagem, o senador escreveu: "Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas...".

Para a Polícia Federal, a manifestação ultrapassou os limites da crítica política e atribuiu falsamente ao presidente da República a prática de crimes graves, como tráfico internacional de drogas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

Segundo o relatório final da investigação, ao afirmar que Lula seria "delatado", Flávio teria sugerido participação direta do presidente em organizações criminosas, uma vez que o instituto da colaboração premiada pressupõe a existência de infração penal praticada pela pessoa mencionada.

No entendimento dos investigadores, a conduta se enquadra no crime de calúnia, previsto no artigo 138 do Código Penal, agravado pelo fato de a suposta ofensa ter sido dirigida ao presidente da República.

Como ocupa o cargo de senador, Flávio Bolsonaro possui foro privilegiado, cabendo ao STF processar e julgar eventual ação penal.

A defesa do parlamentar contestou as conclusões da Polícia Federal. Os advogados alegam que não houve diligências relevantes durante a investigação e criticaram a rapidez da apuração, levantando questionamentos sobre a condução do procedimento.

Agora, caberá à Procuradoria-Geral da República definir os próximos passos do caso, que pode transformar Flávio Bolsonaro em réu no Supremo Tribunal Federal.