A parceria entre o político e o ex-piloto de Fórmula 1 existe desde antes das eleições

Mateus Omena Publicado em 28/03/2023, às 14h57
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) guardou os presentes recebidos durante o mandato, como joias de diamantes, em uma fazenda do ex-piloto de Fórmula 1, Nelson Piquet.
A informação sobre a relação do político com Piquet foi revelada pelo jornal O Estado de São Paulo.
A publicação informou que os itens guardados no local saíram pelas garagens privativas dos Palácios do Planalto e Alvorada.
Em seguida, as peças valiosas foram enviadas para a "Fazenda Piquet", localizada no Lago Sul, em Brasília, onde foram guardadas pelo proprietário do imóvel, a pedido de Bolsonaro.
A apuração afirma que o primeiro pedido de envio das caixas foi registrado no dia 7 de dezembro de 2022, no entanto um atraso fez com que os itens só saíssem do Palácio no dia 20 de dezembro, nas últimas semanas do mandato de Bolsonaro.
Apenas itens de alto valor foram encaminhados à propriedade de Piquet e tratados como bens pessoais. Outros objetos, como cartas e livros, foram enviados para o Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e para a Biblioteca Nacional do Rio, como bens do Estado brasileiro.
Nelson Piquet é apoiador de Bolsonaro e doou R$ 200 mil ao PL, partido do ex-presidente, nas eleições do ano passado. O empresário já havia destinado R$ 501 mil diretamente à campanha do candidato à reeleição.
Em uma entrevista concedida à RedeTV!, o ex-piloto descreveu a sua simpatia pelo político.
“Fiquei fã dele. Eu o conheci, ele me convidou para almoçar e a gente se deu bem. Nunca me envolvi em política na vida, hoje sou Bolsonaro até a morte. Se a gente não ajudar ele, se o povo não ajudar ele... eu acho que ele é a salvação do Brasil”, declarou.
Piquet também é uma personalidade polêmica por declarações racistas e homofóbicas que já fez em diversos episódios. Um dos mais recentes envolve o piloto Louis Hamilton.
Em um vídeo, feito em 2021, o ex-piloto chamou o inglês de "Neguinho", ao comentar um acidente envolvendo o inglês e o piloto neerlandês da Red Bull Max Verstappen durante o Grande Prêmio de Silverstone de Fórmula 1, na Inglaterra. Meses depois, a fala repercutiu nas redes sociais.
Diante do caso, Piquet foi condenado pela Justiça do Distrito Federal, nesta sexta-feira (24), a pagar R$ 5 milhões em danos morais por comentários de cunho racista e homofóbico contra Lewis Hamilton.
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