Diário de São Paulo
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Golpe de Estado

Silvinei Vasques, ex diretor da PRF, é capturado no Paraguai ao tentar fugir

A prisão ocorreu no aeroporto de Assunção quando ele tentava embarcar para fora do país

Investigações apontam que Vasques coordenou ações para interferir nas eleições de 2022, dificultando o deslocamento de eleitores contrários a Jair Bolsonaro - Imagem: Reprodução/Redes Sociais
Investigações apontam que Vasques coordenou ações para interferir nas eleições de 2022, dificultando o deslocamento de eleitores contrários a Jair Bolsonaro - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 26/12/2025, às 11h41


O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques foi preso nesta sexta-feira (26), no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai. A detenção ocorreu no momento em que ele tentava embarcar em um voo com destino a El Salvador, poucos dias depois de romper a tornozeleira eletrônica que utilizava em Santa Catarina.

Vasques havia sido condenado a 24 anos e seis meses de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. Apesar da decisão, ele ainda respondia ao processo em liberdade, já que a condenação não havia transitado em julgado e cabiam recursos.

Segundo o entendimento do STF, o ex-diretor da PRF teve atuação direta em ações que buscavam interferir no processo eleitoral de 2022. As investigações apontaram que ele coordenou operações com o objetivo de dificultar o deslocamento de eleitores considerados contrários ao então presidente Jair Bolsonaro durante o segundo turno das eleições.

Depoimentos colhidos ao longo do processo indicaram que Vasques teria incentivado uma postura política dentro da corporação. Em uma das falas citadas na decisão, ele afirmou que era o momento de a PRF assumir um lado, o que, para os ministros, evidenciou o desvio de finalidade das ações realizadas naquele período.

A condenação também levou em conta a conduta do ex-diretor diante dos bloqueios de rodovias promovidos por caminhoneiros após o resultado das eleições. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, destacou que houve omissão deliberada da PRF na liberação de vias federais estratégicas, o que comprometeu o transporte de alimentos, medicamentos e outros serviços essenciais.

Após o rompimento da tornozeleira, a Justiça determinou a prisão de Vasques. A detenção no Paraguai foi resultado de cooperação internacional entre as autoridades brasileiras e paraguaias. Ele deve passar por trâmites legais para posterior definição sobre extradição ou retorno ao Brasil.


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