Diário de São Paulo
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Operação Unha e Carne

Alexandre de Moraes autoriza prisão domiciliar do pastor Márcio Poncio

Investigado por suposta ligação com a Máfia do Cigarro, Márcio Poncio terá restrições determinadas pelo STF

A quinta fase da Operação Unha e Carne busca aprofundar investigações sobre o jogo do bicho e conexões políticas - Foto: Reprodução/Redes Sociais
A quinta fase da Operação Unha e Carne busca aprofundar investigações sobre o jogo do bicho e conexões políticas - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 12/07/2026, às 09h18


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a substituição da prisão preventiva do pastor e empresário Márcio Poncio por prisão domiciliar. A decisão estabelece uma série de medidas cautelares, entre elas o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, além de restrições de contato e deslocamento.

Márcio Poncio foi preso pela Polícia Federal durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo integrantes da chamada Máfia do Cigarro, operadores do jogo do bicho e possíveis repasses a agentes públicos no Rio de Janeiro.

Ao justificar a mudança no regime de prisão, Moraes considerou o quadro clínico do investigado. Segundo a decisão, Poncio enfrenta uma retocolite ulcerativa grave, passou por cirurgia para retirada do intestino grosso e do reto e necessita de tratamento médico contínuo. O ministro também levou em conta a gravidez de alto risco da esposa do pastor.

Além do monitoramento eletrônico, a decisão determina que Márcio Poncio não mantenha qualquer contato com os demais investigados, seja proibido de utilizar redes sociais e entregue seus passaportes às autoridades. O magistrado ainda ordenou a suspensão de eventuais registros de porte de arma de fogo em nome do investigado.

Pastor da Igreja da Nuvem e empresário, Márcio Poncio é pai da deputada estadual Sarah Poncio, do Solidariedade do Rio de Janeiro, e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K.

As investigações apontam que Poncio é suspeito de manter ligação com a chamada Máfia do Cigarro. Na mesma operação também foram alvos o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado como uma das principais lideranças do jogo do bicho no estado, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, ambos já presos.

Segundo a Polícia Federal, a quinta fase da Operação Unha e Carne busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro atribuídos à nova cúpula do jogo do bicho, além de investigar possíveis conexões do esquema com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo fluminenses.

A investigação teve origem na Operação Fumus, deflagrada em 2021 para apurar o monopólio ilegal do comércio de cigarros no Grande Rio. Durante as diligências, os investigadores localizaram planilhas com registros de supostos pagamentos, doações eleitorais e movimentações financeiras que passaram a integrar a apuração sobre lavagem de capitais e possíveis repasses a agentes políticos.


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