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Investigação

Polícia aponta que casal de pastores usava ameaças e transferências via Pix para silenciar vítimas de abusos

Investigação da Polícia Civil de Roraima concluiu que líderes religiosos teriam utilizado punições internas da igreja, intimidação psicológica e ofertas em dinheiro para impedir denúncias de crimes sexuais contra adolescentes.

Casal de pastores é investigado por utilizar influência religiosa, ameaças internas da igreja e pagamentos para impedir que vítimas denunciassem os abusos, segundo a Polícia Civil de Roraima. - Imagem: Reprodução
Casal de pastores é investigado por utilizar influência religiosa, ameaças internas da igreja e pagamentos para impedir que vítimas denunciassem os abusos, segundo a Polícia Civil de Roraima. - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 16/07/2026, às 10h57


A Polícia Civil de Roraima concluiu uma investigação que revela que o casal de pastores Wenderson e Arielly utilizou sua influência religiosa para silenciar adolescentes sobre abusos sexuais, criando um ambiente de intimidação e controle dentro da igreja.

O inquérito apontou que a liderança do casal foi usada para ameaçar as vítimas com punições e expulsões, além de oferecer vantagens financeiras para evitar denúncias, evidenciando um contexto de manipulação e abuso de autoridade.

Wenderson foi indiciado por diversos crimes, incluindo estupro de vulnerável e fraude processual, enquanto Arielly também enfrentará acusações semelhantes; o caso agora será analisado pelo Ministério Público para possíveis ações judiciais.

A Polícia Civil de Roraima (PCRR) concluiu uma investigação que aponta que o casal de pastores Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamyla Moraes de Souza, de 24, teria utilizado a influência religiosa, ameaças disciplinares e até pagamentos via Pix para impedir que adolescentes denunciassem abusos sexuais supostamente cometidos dentro da igreja.

Segundo o relatório final do inquérito, além das acusações relacionadas aos crimes sexuais, os investigados teriam criado um ambiente de intimidação para manter as vítimas em silêncio. Conforme a polícia, a posição de liderança exercida pelo casal era utilizada como instrumento de controle sobre os fiéis, especialmente adolescentes.

A investigação aponta que documentos internos da própria instituição religiosa previam punições para integrantes que demonstrassem "rebeldia" ou questionassem a liderança. Na prática, segundo a Polícia Civil, vítimas que cogitassem denunciar os abusos poderiam ser acusadas de provocar divisão na comunidade, perder cargos ministeriais ou até serem expulsas da igreja.

Além da pressão psicológica, o inquérito afirma que o casal também teria oferecido dinheiro em espécie, transferências via Pix e outras vantagens financeiras para evitar que os casos chegassem ao conhecimento das autoridades.

Durante as investigações, a polícia também identificou supostas tentativas de ocultação de provas. Uma mulher de 20 anos foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores após, conforme o relatório, participar da destruição do telefone celular utilizado pelo pastor, com auxílio de uma adolescente e de uma das vítimas.

Ainda de acordo com a corporação, uma jovem teria sido orientada a registrar um boletim de ocorrência falso para justificar o desaparecimento do aparelho, dificultando a obtenção de provas eletrônicas.

Ao apresentar a conclusão do inquérito, a delegada Kamilla Basto destacou que o caso foi marcado pelo uso da confiança religiosa como mecanismo de manipulação e silenciamento das vítimas.

Segundo a investigação, não houve consentimento livre das adolescentes, que estariam submetidas a um contexto de abuso de autoridade religiosa, manipulação psicológica e vulnerabilidade emocional.

Com o encerramento das investigações, Wenderson Lima foi indiciado, entre outros crimes, por estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de criança e adolescente, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica. Arielly Kamyla foi indiciada, em tese, pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. O caso seguirá para análise do Ministério Público, que decidirá sobre eventual oferecimento de denúncia à Justiça.


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