Questionado sobre o cancelamento, Olim se incomoda, e Carlão confirma nova data

Jair Viana Publicado em 15/07/2026, às 08h00
A reunião conjunta das CPIs dos Lixões e do Lixo Contaminante, marcada para o dia 14 de julho, no Plenário Tiradentes, foi cancelada por “ordem dos presidentes das CPIs”, segundo comunicado administrativo. A decisão suspendeu a oitiva dos responsáveis legais e do diretor técnico da empresa Sistema Nova Ambiental Ltda., convocados para prestar esclarecimentos sobre a gestão e a destinação de resíduos.
Até o momento, nenhuma justificativa oficial detalhada, ata, despacho ou nova data havia sido publicada. A ausência de motivação formal levanta dúvidas sobre os reais fundamentos do cancelamento, especialmente diante da gravidade das investigações e do interesse público envolvido.
A decisão, que partiu exclusivamente das presidências — e não de deliberação colegiada —, coloca os deputados Carlão Pignatari (presidente da CPI dos Lixões) e Delegado Olim (presidente da CPI do Lixo Contaminante) no centro dos questionamentos.
Entre os pontos que seguem sem resposta estão:
* Quem tomou a iniciativa do cancelamento?
* Houve solicitação da empresa convocada ou interferência de terceiros?
* Por que a motivação não foi divulgada junto com o comunicado?
* Por que nenhuma nova data foi anunciada?
* Houve tratativas políticas para retirar a empresa da pauta?
A reportagem apurou, com fontes que pediram anonimato, relatos de uma possível articulação para adiar a oitiva. A informação, no entanto, ainda não foi confirmada e segue em fase de verificação.
Procurados para esclarecer os fatos, os deputados tiveram reações distintas.
O deputado Delegado Olim demonstrou incômodo com as perguntas enviadas. Em resposta, limitou-se a dizer:
“Pergunta pra quem está mandando vc perguntar pra mim. Abraço.”
O parlamentar não confirmou nem negou participação na decisão, tampouco apresentou justificativas ou documentos.
Já o deputado Carlão Pignatari, por meio de sua assessoria, informou que uma nova sessão foi marcada para a próxima terça-feira (21) e afirmou que o cancelamento ocorreu a pedido dos convocados, que solicitaram prazo para separar a documentação necessária.
“As oitivas foram canceladas a pedido para os participantes separarem a documentação; foi pedido uma semana. Na semana que vem será feito”, informou a assessoria.
As declarações de Pignatari, se confirmadas, indicam que o adiamento partiu da empresa, e não de uma articulação política. No entanto, permanecem algumas dúvidas:
* Esse pedido foi formalizado por escrito?
* Por que o comunicado administrativo mencionou apenas “ordem dos presidentes das CPIs” e não citou a solicitação da empresa?
* Por que a nova data não foi anunciada juntamente com o cancelamento?
* Por que Delegado Olim não confirmou essa versão e preferiu uma resposta evasiva?
A diferença de postura entre os dois presidentes — um apresentando explicações e o outro se recusando a responder — reforça a necessidade de maior transparência sobre o episódio.
O compromisso que se espera
As CPIs têm prazo determinado e uma missão clara: investigar irregularidades relacionadas a lixões e resíduos contaminantes. Adiar a oitiva de uma empresa convocada sem apresentar motivação pública compromete a credibilidade dos trabalhos e pode alimentar questionamentos sobre o processo.
A sociedade tem interesse em compreender os motivos do adiamento. Os parlamentares podem esclarecer o episódio por meio da divulgação dos documentos e registros que embasaram a decisão.
Enquanto os fundamentos do cancelamento não forem oficialmente apresentados, permanecem dúvidas sobre as razões da medida e sobre o procedimento adotado. A divulgação dessas informações pode contribuir para a transparência dos trabalhos das comissões.

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