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PF apura planilhas de bicheiro com R$ 29,3 milhões associados a políticos

Documentos apreendidos com Adilsinho, apontado pela Polícia Federal como integrante da cúpula da contravenção, são citados em decisão de Alexandre de Moraes e reforçam investigação sobre suposta relação entre crime organizado, campanhas eleitorais e agentes públicos.

Adilsinho é apontado pela Polícia Federal como integrante da cúpula da contravenção no Rio de Janeiro - Imagem: Reprodução
Adilsinho é apontado pela Polícia Federal como integrante da cúpula da contravenção no Rio de Janeiro - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Silva Publicado em 15/07/2026, às 09h45


Planilhas apreendidas pela Polícia Federal com Adilson Oliveira Coutinho Filho revelam R$ 29,3 milhões relacionados a políticos, levantando suspeitas sobre financiamento político irregular e lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro.

As planilhas incluem uma lista de candidatos e agentes públicos com valores que somam quase R$ 22 milhões, além de movimentações em espécie e transferências bancárias totalizando mais de R$ 7 milhões, sugerindo uma contabilidade paralela de grande escala.

A quinta fase da Operação Unha e Carne, que já conta com 14 alvos, busca investigar a relação entre organizações criminosas e o poder público, enquanto a PF continua a cruzar dados para verificar a origem e legalidade dos valores mencionados nas planilhas.

Planilhas apreendidas pela Polícia Federal com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, registram R$ 29,3 milhões associados a nomes de políticos. Os documentos foram encontrados em fevereiro, durante a prisão do investigado em Cabo Frio, na Região dos Lagos, e passaram a integrar a apuração conduzida pela corporação.

Segundo a PF, Adilsinho integra a cúpula da contravenção ligada ao jogo do bicho e seria chefe de um esquema milionário de falsificação e distribuição clandestina de cigarros no Rio de Janeiro. A investigação também apura a possível utilização de empresas para movimentação de recursos e lavagem de dinheiro.

A existência das planilhas foi citada em decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou nova prisão de Adilsinho na quinta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal em 2 de julho. A operação tem como um dos focos a suspeita de infiltração de organizações criminosas em estruturas do poder público fluminense.

De acordo com a investigação, os registros apreendidos estão distribuídos em ao menos três planilhas. Uma delas reuniria uma lista nominal de candidatos e agentes públicos com valores individualizados sob a rubrica “Valor Atualizado”, somando R$ 21.986.970,60. Outras duas planilhas apontariam movimentações em espécie e transferências bancárias que, juntas, somam R$ 7.382.928,55.

Para a Polícia Federal, o material pode indicar a existência de uma contabilidade paralela de grande escala. A hipótese investigada é a de que recursos ligados à organização criminosa tenham sido direcionados ao financiamento político, formal ou informal, com eventual contrapartida de agentes públicos nos poderes Legislativo e Executivo do Rio.

As apurações também miram uma rede de empresas que, segundo os investigadores, teria sido usada para movimentar dinheiro e manter relações com políticos. Entre os pontos investigados estão gráficas que receberam valores milionários de campanhas eleitorais nas últimas eleições. Reportagens apontam que um grupo de gráficas recebeu cerca de R$ 18 milhões de campanhas políticas.

A quinta fase da Operação Unha e Carne teve 14 alvos, entre eles Adilsinho, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, e o pastor Márcio Poncio, ligado ao setor de cigarros. As fases anteriores da operação apuraram suspeitas de vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais contra o Comando Vermelho e uma suposta rede de proteção envolvendo agentes públicos.

Segundo a BandNews FM, entre os políticos citados nas planilhas estariam o ex-governador do Rio Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar. A PF, no entanto, ainda busca cruzar os registros com dados bancários, fiscais, eleitorais, notas fiscais e prestações de contas de campanhas para verificar a origem, o destino e a legalidade dos valores.

As defesas dos citados negam irregularidades. A defesa de Adilsinho afirma que ele nega qualquer relação com gráficas e sustenta que jamais realizou pagamentos a agentes públicos ou políticos. Cláudio Castro também negou relação social, comercial ou financeira com Adilsinho.

A investigação segue em andamento. Até o momento, as planilhas são tratadas como elementos de apuração e ainda dependem de confirmação por meio de diligências complementares. A PF busca esclarecer se os valores registrados correspondem a repasses efetivos, doações eleitorais, movimentações ilícitas ou anotações internas sem lastro financeiro comprovado.


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