A vítima, Karina Bezerra, tinha 26 anos e estava desaparecida há 20 dias

Vitória Tedeschi Publicado em 16/09/2022, às 16h04
Uma jovem de 26 anos foi assassinada após ser 'condenada' pelo chamado 'tribunal do crime' do PCC (Primeiro Comando da Capital) por negar um beijo a um traficante de drogas da faccão criminosa em em bar no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo.
Karina Bezerra, de 26 anos, era formada em radiologia. Ela sumiu há 20 dias, mas a polícia não tem dúvida: a jovem foi assassinada pelo PCC pela 'condenação' da facção que não tolerou a recusa da jovem a um dos integrantes.
O drama começou no dia 14 de agosto, quando a jovem se recusou a beijar o conhecido como "Xenon". A rejeição fez o traficante mandar sequestrar e levar Karina para um cativeiro para que ela fosse julgada pelo tal 'tribunal do PCC'. Testemunhas avisaram a polícia, que libertou a jovem e prendeu 9 suspeitos.
A mulher, então, relatou o que aconteceu em depoimento à Polícia Civil e ficou escondida em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, na casa de um amigo. Mas o seu paradeiro foi descoberto há três semanas por membros do PCC. Segundo a polícia, ela foi assassinada.
O que ajuda a polícia a acreditar nisso são mensagens trocadas entre os integrantes do PCC nas redes socais, onde eles falam sobre a sentença dada a jovem. No caso, "morte" é chamado de "moita", na gíria.
"Eaí tá mandando as mesmas ideias que ela mandou pra polícia lá, entendeu? Que o Xenon lá, já falou o vulgo do irmão, Xenon, quis ficar com ela e ela não quis, na onde que os irmãos foi, pegou ela e levou ela pro tabuleiro. Aí, os parceiros já ‘montou’ o ‘tabuleiro’ ali, pra ver se traz ela pra moita, entendeu quadrilha?", escrevem nas mensagens.
Segundo a Polícia Civil, Karina, que trabalhava como cuidadora de idosos, foi assassinada na favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo.
Suspeitas de envolvimento no crime, três pessoas foram presas em flagrante na última quarta-feira (14) pelo Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), indiciadas por tráfico, associação para o tráfico e porte ilegal de arma.
Entre os presos, estava Brendon Soares, 27, apontado pelos investigadores como suspeito de ser o responsável pelo "tribunal do crime" do PCC na favela.
Ainda de acordo com a polícia, ele admitiu envolvimento no assassinato de Karina, mas não deu informações sobre o paradeiro do corpo.
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