Oficiais ficaram sensibilizados com a situação

Mateus Omena Publicado em 03/08/2022, às 17h00
Um menino de 11 anos ligou para o 190 e intrigou os oficiais de polícia ao pedir comida pois a família estava passando fome. O episódio aconteceu na noite de terça-feira (2) em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG).
A Polícia Militar (PM) alegou que o garoto chamado Miguel fez a ligação sozinho e explicou a grave dificuldade que ele estava passando junto com a mãe e os outros cinco irmãos.
“Minha mãe estava chorando no canto, eu pedi o telefone e fui lá e liguei”, disse a criança.
Em entrevista à TV Globo, Célia Arquimino Barros, de 46 anos, contou que está desempregada há muito tempo e sobrevive com alguns bicos.
“Eu vivo do auxílio emergencial e o pai manda R$ 250, mas não é todo mês que ele manda", explicou.
Em virtude da exígua renda, a mãe estava sem comprar alimentos há quase três semanas e sofria para conseguir recursos para manter os filhos.
"Eu só tinha fubá e farinha. Já tinha uns três dias que a gente estava assim. E que já tinha acabado as coisas, já tinham mais de 20 dias, mas ainda tinha um pouquinho de arroz, de algumas coisas. Mas há três dias só tinha farinha e fubá".
Célia afirmou que não sabia que Miguel tinha feito a ligação, mas ficou impressionada pela atitude do filho em pedir ajuda à polícia, com o propósito de proteger a família.
Chocada com o sofrimento da mãe e das crianças, uma guarnição do 35º Batalhão foi até a residência deles no bairro São Cosme, para constatar a situação de fragilidade. No primeiro momento, as autoridades suspeitavam que se tratava de um caso de maus-tratos, mas, ao conhecerem Miguel e sua família, concluíram que, na verdade, todos passam necessidade.
“A guarnição ficou bastante comovida ouvindo os relatos das crianças que há três dias eles estavam se alimentando apenas com água e fubá" , relatou o tenente Nilmar Moreira.
Os oficiais foram a um supermercado, fizeram compras e arrecadaram mais alimentos para doar à Célia e aos filhos.
A PM declarou que vai continuar ajudando a família e informou que quem puder contribuir com cestas básicas e outras doações pode entrar em contato com o Batalhão de PM.
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