Dona do restaurante que doou 150 kits de acarajé para o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em São Paulo, a cozinheira Beatriz de Souza Alves diz que

Redação Publicado em 15/11/2021, às 00h00 - Atualizado às 10h49
Dona do restaurante que doou 150 kits de acarajé para o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em São Paulo, a cozinheira Beatriz de Souza Alves diz que foi “pega de surpresa” com a polêmica causada pela foto do ator e diretor Wagner Moura saboreando seus quitutes na Ocupação Carolina Maria de Jesus, na Zona Leste da capital paulista.
Na noite de quinta-feira (11), o diretor do filme “Marighella” exibiu a produção aos trabalhadores que fazem parte do movimento. Ele foi fotografado comendo um dos kits com vatapá, caruru, camarão e salada — ingredientes usados para o preparo do acarajé tradicional, frito no óleo de dendê.
A foto foi criticada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente da República, que insinuou nas redes sociais que Wagner Moura fazia parte de um “MTST nutela”, por comer camarão numa ocupação.
“Agora tem o MTST raiz e o MTST Nutella. Ou será que já é o comunismo purinho, onde a elite do partido come camarão e o restante se vira e passa fome igual à exemplar Venezuela?”, afirmou o parlamentar.
“Nunca imaginei que o filho do presidente da República não conhecesse o prato mais popular dos pobres e pretos da Bahia. Em Salvador, o acarajé é vendido em qualquer esquina, como o cachorro quente e o pastel de feira em São Paulo”, respondeu a cozinheira de 31 anos.
“É triste um deputado federal não conhecer a culinária do próprio país. Além do desconhecimento, é um enorme preconceito social, porque acha que pobre nesse país não pode comer bem. Não pode experimentar um prato tipicamente brasileiro e tem que comer apenas arroz e feijão?”, completou.

A postagem de Eduardo Bolsonaro também foi respondida pelo líder do MTST, Guilherme Boulos (PSOL), que disse que “direitistas raivosos com a foto do Wagner Moura comendo acarajé no prato na ocupação do MTST mostram que o bolsonarismo vibra com a fome e, acima de tudo, desconhece a cultura brasileira”.
“Gostaria que a família do presidente tivesse se manifestado com tanta raiva quando as notícias de gente procurando osso ou comida em caminhão de lixo apareceram. Mas parece que o que incomoda o grupo dele é pobre comendo bem, não passando fome”, disse Beatriz Alves.
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G1
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