Vídeos divulgados pelos próprios garimpeiros ilegais mostram a realidade da fuga

Nathalia Jesus Publicado em 09/02/2023, às 08h34
Garimpeiros ilegais estão correndo contra o tempo para saírem de terras indígenas demarcadas em Roraima. No entanto, a fuga não parece um caminho fácil. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram grupos em jangadas improvisadas lotadas se alimentando apenas de farinha de mandioca.
Um grupo com cerca de 10 garimpeiros registrou o momento em que descem pelo rio Mucajaí, na saída da Terra Indígena Yanomami, com o "almoço" composto apenas por farinha.
"E aí, galera. Aqui nós estamos na jangada, descendo o rio. Olha o nosso almoço [saco de farinha]. Olha. O conterrâneo aqui só no almocinho dele de boa. Olha os meninos. Os pilotos aí. Isso aqui que é o chefe da jangada, ele que coordena. É isso aí galera. Estamos descendo o rio Mucajaí. Bacana, hein?", disse o garimpeiro que filmava o trajeto.
De acordo com informações coletadas pelo g1, garimpeiros fogem das terras demarcadas desde a ofensiva do governo contra a exploração ilegal do território, que ocasionou em uma crise humanitária entre a comunidade Yanomami.
Na última terça-feira (07), agentes do Governo Federal destruíram um avião, um trator de esteira e outros equipamentos necessários para tocar a logística do garimpo.
Estima-se que até 20 mil garimpeiros estejam na Terra Indígena Yanomami, número que revela o aumento da exploração das terras, somente em 2022, o garimpo ilegal na região aumentou 54%. No local, existem cerca de 30 mil Yanomami.
Uma das principais rotas fluviais para chegar ao garimpo, o rio Mucajaí conecta a região à Boa Vista, contudo, não é uma rota rápida. De Surucucu, local de referência do território, até Boa Vista são 280 km, um trajeto que, se feito de avião pode demorar 1h30, mas, em uma jangada, a viagem pode duram entre 8 e 10 dias.
Vídeos compartilhados pelos próprios invasores de terras mostram homens e mulheres deixando a região caminhando pela floresta ou pelos rios. Grupos afirmam que estão sem comida e pedem a ajuda do Exército para deixar a Terra Indígena Yanomami.
Em coletiva de imprensa na última quarta-feira (08), a Polícia Federal prometeu que todos os garimpeiros ilegais da região serão retirados. A força-tarefa contra os criminosos foi deflagrada ainda na terça-feira, em uma operação conjunta com o governo.
De acordo com a PF, o intuito da operação é identificar todas as pessoas responsáveis pela exploração indevida do território e a invasão do mesmo, assim como acontece nas operações referentes aos ataques de 8 de janeiro.
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