Suspeito foi preso e polícia diz que ele seria o pai dos filhos da mulher

Mateus Omena Publicado em 29/07/2022, às 15h40
Policiais militares libertaram uma mulher e dois jovens que estariam mantidos em cárcere privado há 17 anos. A equipe policial localizou as vítimas na manhã de quinta-feira (28), em uma residência em Guaratiba, Zona Oeste do Rio, após receber uma denúncia anônima.
Em entrevista ao jornal O Globo, o capitão William Oliveira, chefe do setor operacional do 27º BPM, de Santa Cruz, detalhou o momento do resgate e o estado das vítimas.
“Ela [Mãe] disse que não via a luz do dia havia 17 anos, era a primeira vez nesse tempo todo, dizia sentir dor pela luz do sol. Nós oferecemos água, perguntei se ela tinha comido alguma coisa e se queria comer, ela disse que não. Dizia “não, não, não, eu não posso comer, ele não deixa a gente comer sem autorização dele”, contou.
As autoridades informaram que o suspeito pelo sequestro e cárcere seria o pai dos filhos da mulher. Ele foi capturado pela PM. Segundo o oficial, a vítima foi informada de que o criminoso estava preso e que ela e os filhos estavam seguros. No entanto, a mulher teve dificuldades para se acalmar e relutou em comer alguma coisa, devido ao trauma sofrido por longos anos de privação.
“Eu expliquei que ela e os filhos estavam em liberdade agora e que o homem havia sido preso, mas ainda assim, ela insistiu e não comeu nada”, disse.
Após o resgate, a mãe e os filhos de 19 e 22 anos foram atendidos por uma equipe médica. Até a noite de quinta-feira (28), o estado de saúde deles era de desnutrição e desidratação grave. Ao sair da casa e ver o sol pela primeira vez depois de quase vinte anos, a mulher relatou dor na vista aos policiais.
A casa onde os três eram mantidos não tinha infraestrutura básica para habitação e encontrava-se em condições precárias. O imóvel não tinha revestimento de cimento. Por dentro estava só no emboço. O chão era de concreto batido. Não havia água encanada e nem uma caixa d’água, apenas algumas garrafas pet com líquido esbranquiçado. Em um cômodo, havia dois colchões sujos e sem lençol.
“O local era úmido, não tinha circulação de ar, as janelas ficavam sempre fechadas com cadeado e tapumes de madeira. Também havia forte mal cheiro, o lugar não pegava sol”, descreveu o capitão William Oliveira.
O oficial estranhou que os dois jovens, apesar das idades adultas de 19 anos e 22 anos, tinham aparência de criança e não falavam. Antes de serem resgatados, eles estavam amarrados e sujos. Apenas a mãe conseguia falar.
Os dois jovens estavam agitados. Balbuciavam e se debatiam muito. A situação foge da realidade. Difícil de compreender. Recebemos uma denúncia anônima de que uma família estava sendo mantida em cárcere privado. Quando a guarnição entrou na casa, encontrou dois jovens amarrados pelos pés e sujos. Havia até fezes no local. Inicialmente, pensávamos que eram crianças, tal era o nível de desnutrição da moça e do rapaz”.
Ao ser interrogado pela polícia, o sequestrador alegou que era inocente e que não fez nada de errado com as vítimas.
“Ele nos disse que os filhos eram doentes mentais e precisavam estar presos. Quando conversamos com a senhora, ela nos disse que ela e os filhos não saiam de casa há 17 anos. Provavelmente, eles viviam sendo agredidos, mas isso será a Polícia Civil quem irá constatar. O ambiente da casa é um horror. Um imóvel simples, quase sem móveis, sujo e com mau cheiro. A gente que já pensa que viu de tudo nessa vida, nunca imagina que haja algo tão assustador!”
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde do Rio, a mãe e os filhos estão recebendo cuidados clínicos, além do acompanhamento dos serviços social e de saúde mental.
O homem que cometeu o crime tem em torno de 45 a 50 anos. Alguns vizinhos informaram que ele saía cedo, trancava a família dentro de casa e voltava para a residência ao anoitecer.
A Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande informou que foi autuado em flagrante pelos crimes de tortura, cárcere privadoe maus-tratos. A investigação está em andamento.
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