O caso aconteceu na última terça-feira (23)

Manoela Cardozo Publicado em 30/05/2023, às 08h51
Um menino autista, de 12 anos, teve parte de sua orelha arrancada durante uma briga em uma escola estadual em Goiandira, sudoeste de Goiás.
De acordo com informações do Metrópoles, segundo a família da vítima, o agressor é um adolescente de 16 anos.
A discussão entre os dois aconteceu na última terça-feira (23) no refeitório da escola, depois do adolescente provocar o menino com tapas e uma 'gravata'.
Segundo os familiares do garoto autista, enquanto estava sendo imobilizado pelo adolescente, o menino mordeu o dedo do agressor em autodefesa, resultando na arrancamento de uma parte da orelha.
A tia da vítima afirmou que ele vinha sendo importunado pelo agressor há meses, mas a escola não tomou providências.
O estudante ferido foi levado ao Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (HUGOL), na capital do estado, e já recebeu alta.
De acordo com a família, o menino está assustado e se recusa a voltar para a escola, mesmo após uma semana do ocorrido.
"Ele está assustado, chora muito, traumatizou ele. Não está conversando com a gente, fica mais calado. Está tomando medicação e estamos esperando para fazer um enxerto. Se a diretora tivesse dado atenção isso não teria acontecido", contou Poliana Aparecida, tia da vítima.
Em nota, a Secretaria de Estado da Educação de Goiás (SEDUC) lamentou o incidente e afirmou estar fornecendo apoio à família.
“Desde que tomou conhecimento do ocorrido, o Núcleo de Segurança e Saúde do Servidor e do Estudante da Seduc Goiás entrou em contato com o aluno e sua família e fez o acolhimento de todos, estando à disposição para prestar o apoio necessário. A família do estudante ferido relatou à unidade escolar que ele possui laudo de autismo, Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), e que faz acompanhamento psicológico”.
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Goiás (PC). O delegado Fernando Maciel informou que os familiares da vítima foram ouvidos nesta segunda-feira (29). A vítima deverá passar por um novo exame de corpo de delito para determinar se a lesão será permanente.
Conforme o delegado, a investigação tem o objetivo de entender o que aconteceu na escola e se houve negligência por parte da instituição.
Se for confirmado o assédio e a agressão, o adolescente agressor pode ser responsabilizado por ato infracional semelhante ao crime de lesão corporal. Caso haja alguma deformidade permanente, poderá responder por ato infracional semelhante ao crime de lesão corporal grave.
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