Com Lula confirmado como primeiro orador da Assembleia Geral da ONU em Nova York, tradição brasileira iniciada em 1955 segue como símbolo de destaque diplomático mundial

Manoela Cardozo Publicado em 22/09/2025, às 12h20
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o responsável por abrir, nesta terça-feira (23), a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. O discurso está marcado para as 10h, horário local.
A tradição garante ao Brasil o posto de primeiro orador no encontro anual. Logo depois, a fala será do presidente dos Estados Unidos, que participa como representante do país anfitrião. Apesar de o Brasil ter feito aberturas em edições anteriores, a consolidação dessa posição ocorreu em 1955, na 10ª sessão da Assembleia.
Diversas explicações ajudam a entender por que o país ocupa esse espaço privilegiado. Uma das versões mais citadas aponta que o Brasil teria recebido a posição como forma de compensação por não integrar o Conselho de Segurança da ONU. Outra hipótese defende que, diante da tensão entre Estados Unidos e União Soviética nos primeiros anos do evento, o Brasil foi escolhido por sua imagem de neutralidade.
Entretanto, a justificativa mais aceita foi dada em 2010 por Desmond Parker, chefe de protocolo da ONU. “Em tempos muito antigos, quando ninguém queria falar primeiro, o Brasil sempre se oferecia para falar primeiro. E assim ganhou o direito de falar primeiro na Assembleia Geral”, afirmou à rádio norte-americana NPR.
Desde 1955, o Brasil tem sido o primeiro país a discursar em quase todas as edições. As exceções foram poucas. Em 1983 e 1984, os Estados Unidos falaram antes do Brasil. Em 2016, o Chade discursou em segundo lugar após um atraso do então presidente norte-americano. Já em 2018, a vez coube ao Equador, também por causa de um atraso de Donald Trump.
A abertura da reunião é feita pelo presidente da Assembleia Geral. Em seguida, falam o secretário-geral da ONU e a presidência do órgão. Depois disso, a palavra passa ao Brasil, seguido pelos Estados Unidos. A lista dos demais oradores é organizada pela hierarquia dos cargos e pela ordem de chegada das delegações. Chefes de Estado costumam ser priorizados, seguidos de vice-presidentes, príncipes herdeiros, primeiros-ministros e ministros de Relações Exteriores.
Atualmente, a ONU conta com 193 países-membros. Além disso, líderes de dois Estados observadores – Santa Sé e Palestina – e representantes da União Europeia também podem discursar. Embora exista um limite sugerido de 15 minutos por fala, raramente os discursos se mantêm dentro desse tempo.
O espaço reservado ao Brasil reforça sua relevância diplomática no cenário global. A participação constante na abertura simboliza prestígio político e tradição histórica, ainda que não tenha caráter oficial no regulamento da ONU. Para especialistas, o posto ajuda a manter o país em evidência em debates sobre paz, clima, economia e direitos humanos.
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