Presidente dos EUA alega que o jornal prejudicou sua reputação com informações falsas e apoio a Kamala Harris nas eleições de 2024

William Oliveira Publicado em 16/09/2025, às 09h23
Na madrugada desta terça-feira (16), o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que entrou com uma ação judicial contra o jornal The New York Times. O processo foi protocolado na Flórida e pede uma indenização de US$ 15 milhões por supostas calúnias e difamações.
Trump afirma que o jornal prejudicou sua reputação ao publicar informações falsas sobre ele, sua família e seus negócios. O republicano também acusa a publicação de interferência eleitoral por apoiar publicamente a candidatura da democrata Kamala Harris nas eleições de 2024.
"Tenho orgulho de responsabilizar esse outrora respeitado ‘trapo’, um dos piores e mais degenerados jornais da história do nosso país, tornando-se um ‘porta-voz’ virtual do Partido Democrata da Esquerda Radical. O New York Times foi autorizado a mentir, caluniar e difamar livremente por muito tempo, e isso acaba agora", escreveu Trump em suas redes sociais.
A ação surge poucas semanas após o jornal divulgar reportagens investigativas sobre a relação do ex-presidente com Jeffrey Epstein, bilionário condenado por crimes sexuais. Entre elas, uma matéria que revelou cartas enviadas por Trump a Epstein, incluindo um desenho de conteúdo obsceno.
Até o momento, o The New York Times não se pronunciou oficialmente. Na semana passada, porém, o jornal afirmou ter recebido ameaças do advogado de Trump, Edward Paltzik, que exigiu retratação sob pena de abrir uma ação de US$ 10 bilhões.
Em resposta, Danielle Rhoades Ha, porta-voz do NYT, reforçou que a cobertura foi baseada em fatos:
"Nossos jornalistas relataram os fatos, forneceram evidências visuais e publicaram a negação do presidente. Está tudo lá para o povo americano ver e formar sua própria opinião."
Em julho, Trump já havia movido um processo contra o Wall Street Journal por uma reportagem ligada a Epstein, no qual solicitou uma indenização de US$ 10 bilhões.
Caso Epstein
Jeffrey Epstein foi um financista bilionário condenado por crimes sexuais. Em 2008, ele fez um acordo judicial reconhecendo a solicitação de prostituição de menores. Em julho de 2019, Epstein foi novamente preso sob acusação de tráfico sexual infantil e foi encontrado morto em sua cela um mês depois, em circunstâncias suspeitas que levantaram questões sobre suicídio.
Em 2024, documentos judiciais revelaram mais de 900 páginas listando quase 200 indivíduos ligados a Epstein, entre eles Trump, o ex-presidente Bill Clinton e o príncipe Andrew do Reino Unido. A partir disso, diversos meios de comunicação começaram a investigar as relações entre Trump e Epstein.
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